Agora réu no STF (Supremo Tribunal Federal) no inquérito sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem entre os objetivos dele para o pleito de 2026 construir apoio para garantir a vitória de aliados em todo o Congresso Nacional.
Pela situação junto ao Supremo, o foco dele é maior no Senado, que pode pautar temas ligados à conduta de ministros da corte e até um eventual pedido de impeachment. Conforme apurou o R7, o ex-presidente deve apostar em nomes da própria família para a Casa.
Bolsonaro tem pedido de forma reiterada ao PL para reforçar a presença da direita no Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado. Em reunião no último 1º de fevereiro, o político afirmou que alcançar metade de cada uma das Casas garantiria governabilidade em temas ligados ao país.
“Por ocasião das eleições do ano que vem, me deem metade da Câmara e metade do Senado, que eu movo o Brasil”, disse Bolsonaro na ocasião.
Campanha dentro do partido
Entre os nomes ligados à direita que podem concorrer para o PL está o do advogado e comentarista político Marco Antonio Costa, que tenta costurar uma candidatura ao Senado. Apesar de morar em São Paulo, ele está de mudança para Minas Gerais e tem conversado com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para se filiar ao partido.
Costa já se reuniu também com lideranças locais mineiras, como os deputados federais Nikolas Ferreira (PL) e Domingos Sávio (PL) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Além disso, ele já conversou com Bolsonaro.
Em Santa Catarina, duas deputadas federais podem se viabilizar ao Senado no próximo pleito: Júlia Zanatta (PL-SC) e Caroline de Toni (PL-SC). Ambas são cogitadas por Bolsonaro.
Peso do Senado
Atualmente, existem 58 petições contra ministros do STF apresentadas no Senado, mas não há qualquer previsão de análise dos pedidos. A Casa é o único local com competência para analisar solicitações ligadas à conduta de ministros da corte, como solicitações para impeachment.
Uma eventual mudança na composição da Casa a partir de 2027, com peso maior a uma ala ligada a Bolsonaro, poderia pressionar para que as representações passassem a ser analisadas.
Atualmente, o PL perde para o PSD e tem a segunda maior bancada do Senado, com 14 congressistas. Desses, cinco estão em mandato próximo ao fim: Carlos Portinho (RJ), Flávio Bolsonaro (RJ), Dra. Eudócia (AL), Eduardo Gomes (TO) e Izalci Lucas (DF). Todos podem tentar a reeleição, mas Izalci é cotado para disputar o Governo do DF.
Ao R7, Portinho explicou que a ideia de ter uma bancada forte é para “equilibrar as forças entre os Poderes”.
“Há uma descompensação enorme hoje, e é preciso que o Poder Legislativo se imponha e tenha maioria fundamental para isso, inclusive para provar pautas que sejam importantes para a governabilidade do país, o livre-mercado, o avanço de pautas que a direita defende. Precisa ter a maioria, por exemplo, para provar uma PEC, qualquer que seja o seu assunto”, contou.
Senador por Santa Catarina, Jorge Seif (PL) considera que o Parlamento brasileiro tem muita força e que quem tiver a maioria da Casa nas mãos, “tem o governo do Brasil”. Ele nega que a ideia seja pautar impeachment de ministros do STF de imediato.
“Cada coisa no seu tempo. Ninguém quer perseguição nem revanchismo. Mas com maioria, pode-se iniciar uma investigação”, declarou.
Ele acredita que a direita vai aumentar a bancada em 2026 e que uma eventual prisão de Bolsonaro por causa da tentativa de golpe pode “turbinar” votos nos candidatos do PL, e não enfraquecer.
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