Pablo Rodrigo
Foto-Chico Ferreira
O delegado da Polícia Federal Wilson Rodrigues de Souza Filho, negou o pedido do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), José Geraldo Riva para adquirir um novo passaporte. Na negativa, a Delegacia de Polícia de Migração (Delemig) questionou o motivo para que Riva solicitasse o novo documento, já que ele está impedido de deixar o País. Ainda na negativa dada no último dia 31, a PF orientou o ex-deputado a buscar uma autorização judicial para depois solicitar novamente o documento.
Riva teve o seu passaporte apreendido em maio de 2014, após ter sido preso na 5ª fase da Operação Ararath. Na ocasião, o ex-deputado foi preso juntamente com o ex-secretário Eder Moraes. Ambos foram transferidos para Brasília. Porém, 3 dias depois ele conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), que ao conceder a soltura determinou que o mesmo entregasse o passaporte e junto a proibição de deixar o País.
As investigações da Ararath eram conduzidas pelo delegado Wilson Rodrigues de Souza Filho, que atualmente está na Delemig. Onze anos depois, as medidas ainda estão valendo, mesmo após o ex-deputado ter firmado acordo de colaboração premiada em 2020. No acordo, Riva ficou dois nos em prisão domiciliar e iniciará a prestação de serviços comunitários por 8 horas, conforme estabelecido pelo seu acordo de colaboração premiada.
A progressão de pena ocorreu porque o ex-deputado conseguiu comprovar a conclusão de vários cursos, como ‘terrorismo, narcotráfico, organizações criminosas e crimes digitais’, ‘tecnologia em negócios imobiliários’, ‘planejamento e gestão de obras públicas’, ‘política e sociedade’ e ‘resolução eficaz de problemas’. O início dos serviços voluntário é mais uma etapa do acordo de colaboração premiada. Ao todo, ele irá devolver R$ 92 milhões aos cofres públicos como ressarcimento.
José Riva atuou na política mato-grossense de 1995 a 2014 com influência, conduzindo a gestão da Casa por vários mandatos. Nos documentos, o ex-deputado detalhou que, durante os 20 anos, houve pagamentos de propina para 38 parlamentares com o objetivo de apoiarem o governo do Estado.
O valor total do esquema chegou a R$ 175,7 milhões. Segundo a delação de Riva, o esquema funcionou nos governos Dante de Oliveira (1995-2002), Blairo Maggi (2003-2010) e Silval Barbosa (2010- 2014). Neste mesmo período, Riva ainda afirma que foram gastos mais de R$ 38 milhões para a compra das eleições da Mesa Diretora do parlamento mato-grossense.