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Notícias do Agro Quarta-feira, 02 de Abril de 2025, 13:43 - A | A

Quarta-feira, 02 de Abril de 2025, 13h:43 - A | A

Qual o futuro do setor de insumos do Brasil?

“O segredo é estar próximo do cliente"

Agrolink - Leonardo Gottems

 
 

O setor de insumos agrícolas no Brasil passou por mudanças profundas em 2024, marcadas por desafios climáticos, reconfiguração da distribuição e ascensão de novos modelos de negócios. Em entrevista à AgroPages, Renato Seraphim, professor e membro do conselho do Comitê Estratégico soja Brasil (CESB), analisou as transformações do mercado e suas implicações para o futuro do agro brasileiro. Ele destaca que a consolidação excessiva falhou, levando empresas a crises financeiras e recolocando o agricultor no centro das estratégias bem-sucedidas.  

Um dos marcos do ano foi a recuperação judicial da AgroGalaxy, que simbolizou o colapso do modelo de expansão baseado na priorização de EBITDA em detrimento da gestão de fluxo de caixa. Seraphim aponta que a desconexão com as reais necessidades do produtor, além da alta rotatividade de lideranças sem expertise no setor, foram determinantes para os problemas enfrentados por grandes distribuidoras.

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“Outros fatores incluem trocas frequentes de liderança, com executivos sem conhecimento profundo do mercado, e alta rotatividade nas equipes comerciais. A expansão foi motivada mais por ego do que por demanda real, agravando os problemas. Esses erros ressaltam a importância de alinhar estratégias às realidades do agro e manter uma abordagem centrada no produtor”, comenta. 

Outro ponto de destaque foi o crescimento do mercado de biológicos, impulsionado pela busca por sustentabilidade. No entanto, Seraphim alerta que a baixa barreira de entrada gerou um cenário de qualidade irregular, tornando a diferenciação e a confiabilidade fatores decisivos para o sucesso. “Os players bem-sucedidos precisarão focar em P&D, construir confiança com resultados confiáveis e manter altos padrões de qualidade. Quem não se diferenciar ou priorizar ganhos de curto prazo terá dificuldades”, completa.

Para finalizar, o especialista garante que, no Brasil, o modelo mais sustentável é voltar ao básico. “O segredo é estar próximo do cliente, manter uma rotina consistente e reconhecer que o agricultor segue uma jornada simples: investigação, planejamento, uso de produtos e resultados. Nem sempre os resultados serão positivos, mas é crucial apoiar o produtor em qualquer cenário. Em resumo, o modelo mais sustentável priorizará expertise local, proximidade com o cliente, gestão de riscos e suporte ao produtor. Quem adotar esses princípios prosperará”, conclui.

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