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Terça-feira, 10 de Setembro de 2019, 00h:30

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Livro censurado por Crivella na Bienal do Rio chega a R$ 250 na internet

arrow-options Reprodução/Instagram Imagem de "Vingadores - a cruzada das crianças" que gerou a ação do prefeito do Rio de Janeiro Um dia após o prefeito...


Imagem de Capa
beijo dos personagens arrow-options
Reprodução/Instagram
Imagem de "Vingadores - a cruzada das crianças" que gerou a ação do prefeito do Rio de Janeiro

Um dia após o prefeito do Rio de Janeiro  Marcelo Crivella  publicar um vídeo nas redes sociais dizendo que havia mandado recolher o livro " Vingadores a cruzada das crianças" na Bienal do Livro , os exemplares da história em quadrinhos se esgotaram em apenas 39 minutos na feira.

Agora, após o fim da polêmica, o livro que custava cerca de R$ 40 está sendo vendido por até R$ 250 na internet.  Nos sites dos grandes varejistas ainda é possivel encontrar os exemplares pelo valor que era vendido antes da tentativa de censura.

Porém, em sites de compra e venda em que qualquer pessoa pode anunciar, os preços variam de R$ 60 a R$250. Em um dos anúncios em que a obra é vendida a R$ 199 o vendedor descreve o livro como a "HQ proibida".

Veja mais: HQ censurada por Crivella está esgotada na Bienal desde quarta-feira 

Nos comentários dos anúncios, os possíveis compradores reclamam do preço e um dos vendedores, que afirma ter 44 exemplares a R$ 165 cada, rebateu.

"Entendo que esteja alto, essa edição virou ambição para pessoas que simpatizaram pela causa e principalmente por colecionadores . Se a (editora) Salvat decidir reimprimir, provavelmente o preço vai abaixar, mas por enquanto a informação que temos e que eles descontinuariam a coleção", afirmou. 

Dias Toffoli arrow-options
Carlos Moura/SCO/STF - 22.8.2019
Ministro Dias Toffoli derrubou decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro


Até o fechamento desta matéria, a organização da Bienal estimava um total de 4 milhões de livros vendidos , dos 5,5 milhões disponíveis. E os organizadores perceberam um momento de virada: o fim de semana que se seguiu à tentativa de censura do prefeito Marcelo Crivella a um gibi representando dois homens se beijando, na última sexta-feira.

Depois da polêmica na Bienal, autores e editoras oferecem livros LGBTQ+ de graça

A organização da Bienal chegou a falar em crescimento de 60% nas vendas ante 2017, mas depois voltou atrás, dizendo que esse número ainda precisa ser confirmado.

A tentativa de censura acabou ajudando na promoção daquilo que se queria censurar. E os beneficiados foram além da “Vingadores: Cruzada das Crianças” — título da Marvel onde aparecia o tal beijo que ofendeu o prefeito —, que teve todos os exemplares vendidos.

Refletiu-se também no aumento de público nos estandes e de livros comprados em geral. No último sábado de evento, algumas editoras triplicaram o faturamento em relação ao mesmo dia na edição anterior. E a alta procura não estava relacionada apenas a livros com temática LGBT, mas a todos os títulos do catálogo.

Entenda o caso

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, cassou a decisão do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio que permitia a censura de obras com temática LGBT na Bienal do Livro no Rio. 

Toffoli atendeu a um pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e proferiu a decisão no começo da tarde do último domingo, poucas horas depois de a procuradora-geral pedir no STF a derrubada da liminar do presidente do TJ, desembargador Claudio Mello Tavares.

Tavares havia autorizado o prefeito Marcelo Crivella a recolher as obras na Bienal. Em decisão sobre recurso feito pela organização da Bienal, também neste domingo, o ministro do Supremo Gilmar Mendes seguiu a mesma linha. Em nota, Crivella informou que vai recorrer da decisão do Supremo.

"Defiro a liminar, para conceder a suspensão da decisão da presidência do TJ-RJ, a qual havia suspendido a decisão do desembargador Heleno Ribeiro Nunes", escreveu Toffoli na decisão em que acolhe os argumentos da procuradora-geral da República.

No pedido encaminhado ao STF, Dodge disse que a suspensão da liminar do presidente do TJ é necessária para "impedir a censura ao livre trânsito de ideias, à livre manifestação artística e à liberdade de expressão no país".

Crivella tentou censurar obras com temática LGBT na Bienal, o que despertou um forte movimento contra o ato do prefeito.

Ele manifestou incômodo com o beijo entre dois personagens numa história em quadrinhos à venda na Bienal — o livro "Vingadores — A cruzada das crianças", da Marvel, publicado originalmente em 2010.

O prefeito interpretou que a obra é ofensiva a crianças e adolescentes, e cunhou o termo "homotransexualismo" para se referir ao conteúdo da HQ.

A Prefeitura do Rio de Janeiro recorreu, no STF, embargos de declaração à decisão do ministro Dias Toffoli.

No recurso, a Procuradoria Geral do Município afirma que a decisão não examina o fundamento da medida tomada pelo município do Rio de Janeiro ao fiscalizar a Bienal do Livro.

Segundo o recurso, a Prefeitura buscava "a defesa de crianças e adolescentes, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente , que determina que revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado para menores devem ser comercializadas em embalagem lacrada, com advertência sobre seu conteúdo", afirmava .

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