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Quarta-feira, 05 de Agosto de 2015, 20h:43

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POR UMA VIDA MAIS ORDENADA


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Milene Teixeira

POR UMA VIDA MAIS ORDENADA

Observando este momento vivido por Primavera do Leste, ligado a esta onda de violência, ao descontentamento da população com a ordem publica, a percepção de um descaso nas relações humanas, no respeito ao próximo, e no zelo com o patrimônio publico, lembrei de um estudo feito na década de 80, primeiramente nos Estados Unidos, e que penso que tem muito a ver com o momento vivido nesta cidade.

A ‘Teoria das Janelas Quebradas’ foi desenvolvida em 1982 pelos americanos James Wilson e George Kelling, onde eles observaram que um ambiente ordenado e limpo inibe a violência e as transgressões da lei. O experimento teste foi feito abandonando dois veículos idênticos, um em uma zona onde havia muita desordem, local de conflitos de gangues, e outro numa região residencial tranquila de classe média americana. Psicólogos ficaram monitorando os acontecimentos, e poucas horas depois do carro ter sido largado na região da periferia já começou a ser depredado. Teve as rodas retiradas, depois tudo do interior, ate sobrar praticamente só a carcaça do veículo. Enquanto isso, o outro carro permaneceu intacto por uma semana.

Porem, os pesquisadores quebraram um dos vidros do veiculo, e a partir desse momento, aconteceu com ele o mesmo que com o outro carro abandonado.

Na década de 80, o metrô de Nova York era um lugar sujo, com pichações e muita violência, assim, o governo dos Estados Unidos estabeleceu uma politica de tolerância zero nestes locais e utilizando a teoria das “janelas quebradas”, começaram a combater pequenos delitos como lixo jogado no chão, consumo de bebida alcoólica em espaço público, evasão do pagamento da passagem, pequenos furtos, entre outras, e os resultados vieram rapidamente, tornando o metrô um lugar seguro. Na sequencia, o prefeito de Nova York expandiu este programa de tolerância zero, buscando tornar as comunidades lugares limpos e ordenados, onde não se admitia o descumprimento das leis e da boa convivência humana, o que baixou o índice de criminalidade e forma surpreendentemente rápida na cidade.

            Com o intuito de esclarecer alguns pontos obscuros da teoria, um grupo de holandeses da Universidade de Groningen publicou um estudo na ‘Science’, que usava um estacionamento para bicicletas numa área de compras da cidade. Para simular a situação de ordem, os pesquisadores limparam a área e colocaram um aviso bem visível de que era proibido grafitar. Para situação de desordem, grafitaram, posteriormente, as paredes da mesma área, apesar do aviso para não fazê-lo. Nas duas situações, penduraram um panfleto inútil nos guidões das bicicletas, de modo que precisasse ser retirado pelo ciclista antes de partir. Não havia lixeiras no local. Na situação ordeira, sem grafite, 77% dos ciclistas levaram o panfleto embora. Na presença do grafite, apenas 31% o levaram, os demais o jogaram no chão.

A questão da implantação do plano de Tolerância Zero, não é uma questão de imposição da lei ao cidadão, pura e simplesmente, mas uma mudança de mentalidade como um todo, que surge na esfera do poder politico e judicial primeiramente, e ser estende por toda população. Assim, a ideia, é formar comunidades limpas, onde a lei seja rigorosamente cumprida, e a convivência social humana se dê de forma respeitosa.

Esta teoria comprova que o vandalismo, o desrespeito não esta associado a pobreza, mas a algo no psiquismo humano, que é desencadeado por uma visão de descaso, de desinteresse, como da janela quebrada. Isto induz as pessoas a um comportamento despreocupado, sem compromisso com leis ou regras, que podem chegar a absurdos irracionais de violência e caos.

Pense numa cidade onde as leis de transito sejam fiscalizadas, e, portanto, obedecidas, assim, ninguém estacionaria sobre a faixa de pedestres, ou dobraria a esquina sem dar seta, ou pararia em fila dupla para conversar com um amigo que esta sobre a calçada. Ninguém poderia dirigir falando ao telefone, carregando crianças no banco dianteiro, e menores não dirigiriam de forma alguma.

Pense numa cidade onde todas as praças e locais de aglomeração pública tivessem disponibilidade de lixeiras, e fosse feita uma campanha, com placas educativas que estimulassem a população a colocar seu lixo na lixeira, assim, os gramados seriam verdes e floridos, sem garrafas, copos, papeis, ou qualquer tipo de embalagem?

Pense numa cidade onde as pessoas são gentis e agradáveis, se cumprimentam cordialmente, ajudam-se mutuamente e por se conhecerem, se protegem uns aos outros, pois estão atentas as necessidades alheias?

Utopia? Não creio, temos provas de que existe como fazer isso tudo tornar-se possível, a questão é que precisamos de um projeto, de uma direção, de orientação.

 

O lema da bandeira do nosso país diz: ORDEM E PROGRESSO! Penso que foi escrito por alguém que já tinha compreendido a ‘Teoria das Janelas Quebradas’, pois onde tudo esta em ordem, há progresso, e o lugar é bom pra se viver. 

1 Comentário(s)
Muito legal o texto. Vamos aplicar por aqui também a teoria das janelas quebradas.
enviado por: Leitor em 05/08/2015 às 21:20:04
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