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Terça-feira, 04 de Agosto de 2015, 14h:51

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A TRISTEZA DA RESIGNAÇÃO

Blog Psicanalisar


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Milene Teixeira

Conviver não é fácil, conviver é ter que viver junto, compartilhar você e receber parte do outro. Implica em doar-se, em abrir mão de certas coisas para que o outro também tenha espaço para fazer suas escolhas, e tudo vai bem enquanto se mantem um terno equilíbrio, e digo terno porque este equilíbrio além de frágil só é possível numa relação onde exista amor e respeito, do contrario, alguém vai ter que se submeter mais que o outro, abrir mão mais vezes, comer mais naquele restaurante que não gosta para agradar ao paladar do seu par. Porem quando isso acontece, é muito triste de ver, é mais ou menos como ver o touro transformar-se num boi, pouco a pouco, perdendo suas forças, compadecendo-se e resignando-se com sua nova condição, e quando se vê, todo brilho foi embora, toda imponência, tudo aquilo que fazia aquela magnifica criatura ser forte e única.

Sem perceber, no intuito de agradar, de ser mais pacifico (afinal não é bom brigar por tudo!), a pessoa vai cedendo um pouco aqui e outro ali, e quando vê é um suave esboço do que era, é sombra de uma outra pessoa, resignado e pacifico, conformado em não comer seu suculento bife pois seu par é vegetariano e não pode nem ver carne.

O que acontece é que se a castração não é bem feita, resquícios da força do touro permanecem. É a mesma força que se vê em uma pessoa que se da conta da vida incompleta que esta levando e se revolta, busca de volta o seu vigor, inconformado em não ser mais inteiro e buscando a completude deseja viver plenamente.

Porque por mais que uma pessoa aceite viver na sombra de outra, seu potencial inconsciente fica pulsando nela, inquietando, instigando a desejar mais. O triste mesmo é a resignação, o conformismo em viver uma vida parcial, quando se foi feito para andar majestoso e pleno pela vida.

 

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