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ACESSO À EDUCAÇÃO /

Segunda-feira, 17 de Agosto de 2020, 06h:30

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Rede estadual de ensino tem aulas não presenciais em meio a pandemia

Alunos que não possuem acesso à internet, podem retirar os materiais nas escolas


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Wellington Camuci

Sem previsão de retorno das aulas presenciais, a Secretaria de Estado de Educação - Seduc deu início no dia 03 de agosto as aulas de forma não presencial. Alunos das escolas estaduais de Mato Grosso, através da internet, estão tendo acesso aos conteúdos e podendo tirar dúvidas com os professores.

Porém, muitos alunos não possuem acesso à internet e não conseguem acessar as plataformas existentes no estado para estudo. Para estes alunos, a saída é estudar com material impresso que está sendo distribuído nas unidades escolares.

A Seduc, está utilizando a plataforma Microsoft Teams para aproximar o aluno do professor e facilitar a troca de informações, em conjunto com os materiais disponíveis na plataforma “Aprendizagem Conectada”. Com a campanha estadual lançada pela educação, a dificuldade está em atender aos alunos do campo.

“Nós verificamos várias possibilidades para maximizar e tentar atingir a hashtag programada pelo Governo do Estado que é #NenhumAMenos. No caso das escolas do campo, quais possibilidades que nós temos: o envio das atividades por meio da rede, da internet, por diversos mecanismos, seja ele WhatsApp, Facebook, o Microsoft Teams, que é a plataforma que está sendo utilizada oficialmente pela Seduc”, explicou Weverton Ficherman, Assessor Pedagógico de Primavera do Leste.

AULAS ONLINE

A pandemia tem gerado mudanças em diversos setores, seja na economia, cultura, entre outros. As aulas estão paralisada desde março e a solução para que o prejuízo aos alunos seja amenizado, foi trazer para a educação básica, ferramentas já utilizadas em outros níveis de ensino como o ensino à distância e, também em outros setores, como as videoconferências.

As escolas e os alunos tiveram que se adaptar a essa nova realidade. “É um processo novo, na  primeira semana, as escolas, os professores se concentraram em orientar, explicando como utilizar, como fazer o primeiro acesso. Lá na plataforma Aprendizagem Conectada, o aluno vai ter que entrar com seu ID, que é o código da matrícula, vai gerar um e-mail institucional e uma senha, através desses dados eles farão o primeiro acesso na plataforma, a partir daí formaram as turmas de acesso a plataforma teams”, explicou Ficherman.

O Assessor disse ainda que o professor está se organizando para atender a todos os alunos nos diversos meios de contato. “O professor diante do seu quadro de horários ele dividiu um número X de horas para atender os alunos da plataforma teams, um número X de horas para atender os alunos que a internet é ruim, atender os alunos do WhatsApp, atender os alunos do material impresso, através do Facebook”.

Na plataforma online, Ficherman explicou que os alunos foram divididos em turmas e que boa parte dos alunos estão conseguindo ter acesso a estas aulas. “Nós temos relatos de escolas que já tiveram 100% da turma de acesso a plataforma teams, ou seja, 100% dos alunos conectados, mas também tivemos relatos de turmas com apenas dois alunos, aí a escola com o seu diagnóstico, o seu mapeamento vem encontrando possibilidades para maximizar e atender de fato nenhum a menos”.

 

AULAS COM MATERIAL IMPRESSO

Mesmo com toda tecnologia disponível, muitos alunos, principalmente das escolas rurais, não possuem acesso à internet. Para que esses alunos não sejam prejudicados, a Secretaria de Estado de Educação está distribuindo o material impresso.

Nesse primeiro momento, o material está disponível para retirada nas unidades escolares, inclusive podendo ser retirado aos finais de semana e na Assessoria Pedagógica. Está sendo estudada a possibilidade de entrega do material na casa do aluno. “Estamos vendo a possibilidade, e isso tem grande chance de acontecer, que é nós utilizarmos o carro oficial da Assessoria para levar essas atividades também nas fazendas mais longínquas, onde as famílias não vão na escola e não vem na cidade”, disse o Assessor Pedagógico.

Outra possibilidade é a utilização do transporte escolar. Ficherman explicou que a tratativa é que, pelo menos a cada 15 dias, o transporte passe nos locais mais distantes levando o material e buscando o material que estava com o aluno. “Para não deixarmos os nossos alunos da rede estadual desamparados, vamos estabelecer uma parceria com o transporte escolar para, a cada 15 dias, talvez, nós fazermos toda essa rota, passando pelos pontos das fazendas para estar entregando esse material aos alunos”.

AVALIAÇÃO DOS ALUNOS

Diferente dos alunos que possuem acesso as redes e plataformas utilizadas no ensino, os alunos “isolados” não terão acesso ao professor para tirar dúvidas e receber a explicação de algum conteúdo. Porém, o professor poderá fornecer para ele materiais específicos, de acordo com as dificuldades e dúvidas.

Weverton Ficherman disse que “o professor em posse desse material vai fazer a correção e avaliar qual é a dificuldade do aluno. Isso nós estamos falando de uma troca de informação bem restrita, vamos pensar naquele aluno que está isolado, essa troca de informação com o professor não é possível, o contato dele vai ser só o material impresso seja na entrega ou seja na devolutiva”, ressaltou.

Ele explicou ainda que o professor deverá planejar as ações de acordo com o aluno. “O professor ao receber esse material feito, vai avaliar qual é o grau de dificuldade apresentado e vai fazer o seu planejamento para ir sanando essa dificuldade, seja com material explicativo ou com material com uma linguagem mais simples, exercícios mais simples, pra tentar ir trabalhando essas dificuldades apresentadas”.

 

EDUCAÇÃO É DIREITO DE TODOS E DEVER DOS PAIS E DO ESTADO

Faz parte da Constituição Federal que toda criança tem direito à educação e garantir isso é obrigação dos pais e do Estado. Negar a educação a criança e ao adolescente é crime. Abandono intelectual é tipificado no artigo 246 do Código Penal – “Deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa”, diz o texto.

Weverton Ficherman destaca que alguns alunos da rede de ensino não foram localizados pelos professores e direção da escola e ainda não realizaram o acesso. Um dos problemas citados por Ficherman é o cadastro desatualizado. “O telefone está desatualizado, não existe ou só dá na caixa de mensagens, o endereço, já não reside mais naquele local. Então esse aluno está incontactável”.

O Assessor Pedagógico pede para que os pais e/ou responsáveis por alunos da rede que ainda não começaram as atividades que procurem a unidade escolar. “Tem um filho matriculado em uma escola da rede estadual que ainda não foi contatado pela escola, procure a escola para saber como ter acesso a essas aulas remotas, ou através do material impresso, nós não podemos deixar de atender as crianças”, reforçou.

Ficherman alerta que caso o aluno não participe das aulas, medidas judiciais poderão ser tomadas. “Se o aluno está ausente das atividades escolares por mais que remotas, nós vamos ter que aplicar a lei no tocante ao Estatuto da Criança e do Adolescente, informar ao conselho tutelar, informar a promotoria pública, a Vara da Infância e da Juventude para que sejam tomadas as devidas providências, porque isso caracteriza abandono intelectual e negligência dos pais”, finalizou.

 

 

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