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Segunda-feira, 13 de Maio de 2019, 07h:00

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População deve participar de elaboração de Plano de Mobilidade

Nossa equipe de reportagem conversou com a engenheira responsável


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Jaqueline Hatamoto

Com uma frota 63 mil veículos emplacados na cidade, Primavera do Leste possui a sétima maior frota do estado. O número de veículos é ainda maior se levarmos em consideração os veículos emplacados fora do município e que circulam pela cidade, ou seja, a frota chega perto dos 80 mil. Diante de tantos carros, é comum que problemas como falta de lugar para estacionar, rotatórias abarrotadas e demais problemas apareçam.

Porém, a organização do trânsito tão caótico pode estar próxima. Desde o mês passado, a empresa Gasini Projeto Consultoria e Treinamento está desenvolvendo em Primavera do Leste um estudo que visa a elaboração do Plano de Mobilidade do município. Para isso, a empresa está promovendo pesquisas e realizando reuniões a fim de traçar metas e objetivos que devem ajudar a organizar o trânsito na cidade. O planejamento é que o projeto fique pronto em fevereiro de 2020 e em seguida seja encaminhado à Câmara Municipal e assim transformado em lei.

Em entrevista, a engenheira civil e especialista em mobilidade urbana, trânsito e transporte, Barbara Marquesine, falou um pouco sobre o projeto que será desenvolvido em Primavera do Leste e também sobre a necessidade de participação da sociedade em geral para que o projeto alcance o objetivo.

A resolução 477 da Anatel, de 2007, e a lei estadual 4.863, de 2006, garantem ao cliente optar por receber ou não mensagens de texto e solicitar a suspensão do serviço.

 

Jornal O Diário: No que consiste o plano de mobilidade urbana?

Barbara Marquesine: O plano de mobilidade é um planejamento, um instrumento que vai direcionar as ações de mobilidade, trânsito e o transporte. Ao longo de anos teremos metas a serem cumpridas, em dois, cinco e dez anos. Cumprir essas metas, independe de vontade política, o que for definido como melhor para cidade vai percorrer esse caminho de 10 anos. Paralelo a isso (plano de mobilidade), objeto de contrato, tem três áreas de atuação, que prevê: plano de mobilidade, estudo de projetos e atualização dos agentes. A parte de projetos, independe do plano, a CMTU já pediu o estudo de alguns pontos críticos e isso já vamos desenvolver para serem feitas algumas ações. Algumas situações no trânsito serão realizadas.

 

JD: O que já foi feito até agora?

BM: Já foram realizadas reuniões setoriais com a Apae, Conselho dos idosos, Conselho dos deficientes, ciclistas, loteadores, taxistas, moto-taxistas. Além disso, foram feitas pesquisas e esses dados foram apresentados a membros do Gabinete de Gestão Integrada – GGI e Ministério Público.

 

JD: O que se pode concluir até o momento em relação ao trânsito de Primavera do Leste?

BM: As pesquisas ainda estão sendo desenvolvidas, por isso é um pouco difícil dar algum diagnóstico preciso. Nós ainda teremos dois ou três meses para fazer um levantamento completo para poder falar. Mas através dos dados colhidos até o momento, a gente vê que Primavera é uma cidade altamente motorizada. Já que tem a 7ª frota do estado, a maior relação habitante frota do estado. A cidade tem um apelo ao transporte individual muito alto. O que a gente observa é a fragilidade do outros usuários do sistema.  Por exemplo, quem utiliza o transporte coletivo: vemos deficiência nos pontos de ônibus, principalmente. Então essa questão do transporte coletivo tem suas fragilidades.

O pedestre também. Nós observamos uso inadequado de calçadas, polo gerador colocam as mercadorias na calçada, então o cadeirante não consegue transitar por ali. É possível ver supermercados que colocam carrinho em cima das calçadas, deixando as calçadas estreitas. Faixa de pedestres que vai dar em lixeira ou em árvores, então vemos que estes entes mais frágeis do trânsito são pouco olhados.

 

JD: O plano de mobilidade será desenvolvido apenas no centro da cidade?

BM: Não. Será desenvolvido para a cidade toda. É um planejamento, não tem nem como setorizar muito, ele trata em primeiro lugar o pedestre, depois a questão do transporte coletivo. Serão feitas pesquisas para poder dar um diagnóstico.  Representantes da empresa vão andar por todos os ônibus, passar por todos os pontos, vai contar quantos passageiros sobem e descem em cada ponto. Já está sendo feita a contagem de fluxos nas rotatórias, assim vamos conseguir trazer um diagnóstico da vida útil dessa rotatória, a formação de fila e quanto tempo demoraria para retirar a rotatória e implantar semáforos. Tudo dentro de um estudo técnico, mas quanto ao centro da cidade, esse é o setor que mais tem demanda e metas a serem atendidas.

 

JD: O que a empresa pensa em fazer para resolver a falta de estacionamento?

BM: Dentro do quesito estacionamento, muito se discute sobre o estacionamento rotativo.  Então para se tirar as vagas do canteiro temos que promover rotatividade e estacionamento, mas quais são as medidas para suprir a falta? Temos que pensar em tudo isso. Por exemplo: existem várias cidades do Brasil onde os donos de empreendimentos têm a obrigação de criar vagas de estacionamento em seus empreendimentos, para que se atenda a demanda que ele está causando naquele setor. Por isso eu digo, não adianta tirar ou criar um estacionamento rotativo, antes é preciso suprir a demanda.

 

JD: Muito se fala sobre a falta de agentes de trânsito. O plano de mobilidade prevê o aumento no número de profissionais?

BM: Não existem pesquisas e teorias que relatam o número de agentes necessários por frota, mas o que a gente tem que entender é porque se comete tanta infração? É por falta de fiscalização? Ou questão comportamental? A questão da fiscalização a gente entende que com a frota que tem em Primavera, há apenas oito agentes de trânsito, não é fácil.  Porém, ao passo que acompanhamos a fiscalização, vemos o quanto a população desrespeita os agentes de trânsito, elas não querem ser fiscalizadas, pois tem a concepção que sempre parou ali, sempre andou daquele jeito, por que precisa mudar?

 

JD: Falando em mudanças, o que precisa ser mudado no trânsito de Primavera?

BM: Hoje precisamos mudar comportamentos.  Foi possível observar que as pessoas dentro do seu veículo, tem aquele comportamento individual, de não respeitar os espaços. As pessoas sempre pedem por mais campanhas, mas a gente sempre questiona isso: até que ponto vai a campanha educativa e qual o momento de se entrar com a fiscalização? Na primeira semana que nós colocamos as câmeras, a população ficou revoltada, por que achou que era fiscalização, então quando estou preocupado em ser fiscalizado, não estou dentro da lei. Então o primeiro passo é olhar para coletivo, é olhar para o pedestre e para o grupo que tem menor mobilidade, como idosos e cadeirantes, pois hoje a cidade é pensada para o veículo.

Essa disputa pelo espaço é que precisa chegar a um consenso, chegar a um planejamento, porque a cidade tem a previsão de crescimento de frota altíssimo. Hoje a média nacional é 3% e Primavera do Leste está crescendo com mais de 8% ao ano. Vai chegar um ponto que a disputa por espaço só vai piorar. Hoje a cultura do transporte individual é muito forte aqui. Então é isso que talvez a gente tenha que pensar, em ter outras alternativas de transporte, pois o número de veículos só aumenta, mas a quantidade de vias não tem como aumentar.

 

JD: A população pode ajudar na elaboração do plano de mobilidade? De que forma?

BM: Duas audiências públicas serão realizadas no mês de setembro. A empresa terá todo o diagnóstico e projeções de situações para os próximos 5, 10 e 15 anos. Essa audiência será aberta para toda população, mas nada impede que as pessoas ou outros grupos procurem a CMTU para dar sugestão e falar de seu problema e participar do plano. É muito importante deixar claro que, o plano é construído pela população. Cabe a empresa apenas dar o direcionamento técnico, realizar as pesquisas e promover toda a instrumentalização desse processo do plano de mobilidade, mas quem constrói o plano é população. É diante do anseio da sociedade. Então a participação de todos é fundamental, é preciso que tragam as necessidades, se faça o exercício de sair da zona de conforto e não pensar somente no seu transporte, só no interesse individual e pensar de forma coletiva na cidade.

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