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Domingo, 19 de Julho de 2020, 06h:30

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Moradores de assentamento reclamam de falta de energia e dizem que não conseguem acesso a rede

Rede de energia passa a aproximadamente 200 metros das residências. Energisa orienta que moradores façam nova solicitação


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Jaqueline Hatamoto

Passar dias e noites sem luz, dependendo de alguns vizinhos para ter acesso a coisas básicas dentro de casa não é uma situação fácil. Mas é assim que vivem algumas famílias que moram no assentamento Bela Vista localizado na região do Vale Verde, área pertencente a Poxoréu.  Além das dificuldades de viver sem energia as famílias também não tem acesso a água, já que a região ainda não tem água encanada e muitos precisam de poço, mas sem energia elétrica o poço também não funciona. O que mais chama atenção no caso destas famílias é que a rede de energia está no máximo a 300 metros dos imóveis.

 

São famílias inteiras que moram na região há pelo menos cinco anos, e neste mesmo período buscam acesso à energia elétrica. Os moradores relataram que já procuraram diversas vezes a Concessionária responsável pelo serviço de energia, a Energisa, porém, a empresa até o momento não resolveu o problema.

“Minha residência fica em torno de 200 metros da linha que dizem ser legalizada. Já procurei a Energisa diversas vezes. A primeira vez foi me informado que eu deveria ter um padrão no local, como não tinha a equipe não considerou. A segunda vez foi dito que é uma área em conflito e que não poderiam atender à solicitação. A terceira vez me informaram que tenho que encaminhar via whatsapp a escritura de posse da área, georreferenciamento, documentos pessoais e fazer a solicitação de extensão de rede e aguardar a visita de um técnico da Energisa. A quarta vez foi a mesma coisa da terceira e confirmação de dados e solicitação”, relatou Lucas Francisco Nunes Prates, morador da Rua Freitas no assentamento Bela Vista.

Lucas relata que a falta de acesso a rede acarreta em diversos problemas que tornam a casa que ele construiu sem possibilidade de ser habitada. “Os problemas são enormes pois tenho plantas que precisam de água. Fiz um poço e não consigo acionar a bomba submersa, minha casa fica inviabilizada de morar pois não têm como ter água para o banheiro nem para a geladeira e qualquer projeto que venha a ser planejado não tem como ser desenvolvido por falta de energia”, desabafou.

Quem também sofre com a falta de acesso à energia elétrica é Regina André da Silva, moradora do assentamento Bela Vista há 4 anos, mãe de quatro crianças pequenas, ela não sabe mais o que fazer para a luz chegar até a sua casa que está há aproximadamente 100 metros da rede da Energisa. “Já fui várias vezes atrás, tudo sem sucesso. A única coisa que falaram é que vão mandar um engenheiro para vistoria, mais essa pessoa nunca apareceu”, disse.

O envio de um técnico para analisar a situação, também foi prometido a Maria Aparecida, moradora da Rua Barros, a casa dela também fica próxima à rede de energia. “Toda vez é a mesma coisa, eles [Energisa] dizem que vão mandar o técnico, mas até agora ninguém nunca apareceu, e já se passaram mais de quatro anos”, ressaltou.

Meri Pereira da Silva e Lucilei Pereira da Silva, moram há 60 metros da rede, porém, também vivem com quatro crianças e idosos em uma casa que não tem nenhum acesso à energia elétrica. E essa é a realidade de muitas famílias que se viram como podem, já que muitos não têm condições de morar na cidade devido ao custo elevado dos alugueis.

Sem acesso a rede legalizada, e bem próxima a rede, as famílias dão um jeito de sobreviver. Muitos acabam sendo ajudados por vizinhos que já tem energia em casa. Esse é o caso de Ana Myazatto, moradora da Rua Barros. Para manter o básico funcionando ela usa a energia cedida por um vizinho.  “Minha história não é diferente de outros moradores, já tentei a instalação da energia em minha casa, mas não consigo. Tem redes que passam nos dois lados do meu terreno, mas na minha casa não tem. Então eu uso a do vizinho e pago para ele. Mas isso não me dá garantia de acesso ininterrupto ao fornecimento de luz, sempre fico sem energia elétrica. Já queimou muitos eletrodomésticos da minha casa. Nem um poço eu posso ter, pois como ele vai funcionar? ”, relatou a moradora que vive na região há quatro anos.

Os moradores relatam que quando buscaram a Energisa, a empresa disse que o local era uma área de conflito e que por isso a energia só seria instalada, quando os moradores tivessem títulos de posse e georreferenciamento de suas propriedades. A mesma explicação foi passada a equipe de reportagem pela Assessoria de Imprensa da Energisa. 

“A Energisa vem acompanhando a situação em questão e tem estado em contato direto com os clientes sempre que acionada. Vale destacar, porém, que na região mencionada, é possível identificar três assentamentos distintos: Buritis, Vale verde e Bela Vista. As localidades de Buritis e Vale Verde foram regularizadas pela prefeitura, e a partir desse momento as ligações solicitadas foram realizadas pela Energisa. Porém, a localidade Bela Vista ainda não possui a regularização, o que implica na falta de documentação oficial para solicitação das novas ligações”, diz parte da nota.

Acontece que os moradores entrevistados para esta reportagem, dizem ter toda a documentação exigida, mas até o momento a concessionária não resolveu o problema. Informados que as famílias já haviam regularizado a situação de seus lotes, a Energisa ressaltou que; “caso a pessoa esteja com a situação regularizada e tenha todos os documentos necessários em mãos, basta abrir uma solicitação de Nova Ligação, que a Energisa irá responder prontamente e avaliar a execução da obra, prevendo o prazo de atendimento. A solicitação pode ser aberta sem sair de casa, diretamente pelo site da Energisa, através do www.energisa.com.br. Através desse link é possível ter acesso a todo o passo a passo da abertura dessa solicitação: https://www.energisa.com.br/ajuda/paginas/pergunta.aspx?rid=314”, finalizou a nota.

Segundo informações, uma nova solicitação deve ser feita, tendo em vista que os outros pedidos foram indeferidos tendo como base o conflito agrário que existia.

 

COMO OS OUTROS ASSENTAMENTOS CONSEGUIRAM ACESSO A ENERGIA?

Aproximadamente sete mil famílias habitam a região conhecida como Novo Poxoréu, dois assentamentos sendo eles Buritis e Vale Verde foram regularizados pela prefeitura, e por isso tiveram acesso a rede de energia gratuitamente. Para entender o que difere os assentamentos citados do Bela Vista, onde as famílias buscam por energia elétrica, entrevistamos a vereadora de Primavera do Leste, Carmén Betti, que acompanhou de perto o processo de regularização dos assentamentos Buritis e Vale Verde.

“Eu acompanhei a conquista das associações Vale dos Buritis e Vale Verde frente à Energisa. Essas duas associações sempre foram mais adiantadas do que as outras quanto à documentação e organização. Para conseguir a rede de energia existe vários critérios a seguir, dentre eles vou citar alguns: Precisa de uma lei municipal onde consta ser uma área de interesse público; Projeto de Arruamento da região; Projeto de área de extensão urbana, dentre outros requisitos. Foi preciso também a união de forças, entre a prefeitura de Poxoréu e as associações”.

A vereadora cita que no caso do Assentamento Bela Vista, é preciso definir junto aos moradores e a associação se a área será classificada como zona urbana ou rural, para depois começar os mesmos procedimentos de outros assentamentos. “Se optarem por zona de extensão urbana, terá que ser cortado os lotes em tamanhos menores e padrão igual aos do Novo Poxoréu e Vale Verde. Se optarem por zona rural, a lei de regularização fundiária não permite uma área com menos de quatro hectares, e lá predomina lotes de um hectare. Daí a dificuldade de regularizar”, explicou a vereadora.

Segundo Carmén Betti, um outro assentamento que caminha para conseguir acesso gratuito à rede de energia é o Novo Poxoréu. “Está bem mais adiantada, a titularidade está no nome da prefeitura de Poxoréu, que já está trabalhando pra entregar o documento definitivo pra associação e fazer as leis para conseguir o Projeto de Energia e outras benfeitorias. Inclusive já cobrei o prefeito Nelson pois era para ter ficado pronto ano passado”, finalizou a vereadora.

Nossa equipe de reportagem também entrou em contato com a prefeitura de Poxoréu, para saber se o poder público tem conhecimento desta realidade e se pretende fazer algo para ajudar os moradores. Porém, até o fechamento desta reportagem não fomos respondidos. Porém, nos comprometemos a trazer em nova reportagem a resposta prefeitura caso nos seja respondido.

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