REPORTAGEM /

Segunda-feira, 09 de Março de 2020, 07h:00

A | A | A

ESPECIAL MULHERES: Elas ocupam cargos de destaques em Primavera

Elas comandam batalhões, coordenam operações, representam a população.


Imagem de Capa
Wellington Camuci

Já foi o tempo em que lugar de mulher era dentro de casa, lavando roupas, fazendo comida, cuidando do marido e dos filhos. Hoje, as mulheres ocupam altos postos de trabalho. Elas estão no comércio, na indústria, em grandes empresas, ocupam lugares criados e, historicamente, ocupados por homens.

Nada disso quer dizer que elas deixaram de ser donas de casa, de cuidar dos filhos ou do marido, muito pelo contrário, as mulheres assumiram essas colocações acumulando as duas funções.

Em Primavera do Leste não é diferente, elas estão nas empresas, no comércio, nas indústrias e em várias outras áreas. São empresárias, diretoras, vereadoras, comandantes, gestoras, cada uma em sua área, mas com muitas coisas em comum.

Francyanne.jpeg

 

Comandante do 11º Comando Regional da Polícia Militar

Francyanne Siqueira Chaves é a comandante do 11° Comando Regional da Polícia Militar.  A frente da instituição desde 2018, ela mostra que a mulher pode ocupar altos postos da Segurança Pública.

Antes de assumir o comando da regional, Francyanne era comandante de batalhão de trânsito em Cuiabá, “lá eu comandava um batalhão, aqui na regional sou responsável por seis municípios”, conta.

Há 25 anos na PM, Francyanne já foi comandante adjunta do Corpo de Alunos e do 1º Pelotão no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças; comandante do 2º Pelotão, tesoureira e aprovisionadora na Academia de Polícia Militar Costa Verde; comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar; comandante do Batalhão de Trânsito Urbano e Rodoviário.

Francyanne ocupa hoje a mais alta patente dentro da instituição, em 04 de setembro de 2019, ela foi promovida a coronel. Para ela é motivo de muito orgulho, “são 36 coronéis no estado eu sou a única mulher, tem cinco mulheres na reserva, na ativa eu sou a única”, fala. Ela ressalta que isso é o reconhecimento pelo trabalho que desempenha na corporação. Mas ela lembra que muitas mulheres têm capacidade e estão aptas para serem promovidas a patente mais alta.

No 11º CR, Francyanne comanda cerca de 300 policiais que atuam nos municípios de Primavera, Poxoréu, Paranatinga, Campo Verde, Santo Antônio do Leste, Santiago do Norte e Gaúcha do Norte.

Um exemplo do trabalho realizado em Primavera do Leste pela coronel, é o programa Divvam que trabalha diretamente com mulheres vítimas de violência doméstica, oferecendo uma rede de apoio em parceria com as secretarias de saúde e de assistência social, Sala da mulher e Ministério Público.

O programa iniciou em 2018 com foco em capacitar os agentes policiais para o atendimento a estas vítimas, “estava tendo uma grande reclamação do atendimento de ocorrências, na forma de atuar, então a gente iniciou com esse principal foco inicial que era dar essa orientação mais específica no atendimento dessa ocorrência para que os homens tivessem uma sensibilidade maior desse atendimento”, pontua a coronel.

Ela destaca que as mulheres são mais sensíveis no atendimento, principalmente neste tipo de ocorrências, o que não quer dizer que elas não sejam fortes ou que os homens não são capazes, é apenas uma forma diferente de ver as coisas.

Poucas são as mulheres em serviço na Polícia Militar, segundo dados da PM de Mato Grosso, o efetivo é de 7.141 policiais, destes, 573 são mulheres, o que representa apenas 8% do efetivo. Um dos motivos para esta diferença, está na cota para ingresso de mulheres na corporação. 20% das vagas oferecidas nos concursos são para mulheres, ou seja, a cada 100 vagas oferecidas, apenas 20 são para mulheres. Um número relativamente baixo para os dias atuais.

 

Inspetora Angélica 1.jpeg

 

 

 

Comandante da 5ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal

Mãe, esposa, carreira sólida, realizada profissionalmente. Este pode ser o caso de muitas mulheres, mas não da inspetora Angélica Miranda Maciel. Mineira, nascida em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, encontrou na Polícia Rodoviária Federal (PRF), a realização de seu sonho.

Formada em odontologia, Angélica trabalhou por 10 anos em Belo Horizonte, mas não se realizou profissionalmente. “Eu resolvi prestar um concurso público e sempre foi ou era PRF ou era PF, não sei porque razão. Esse universo policial me encantava e me encanta até hoje. No entanto, eu fiz o da PRF, passei e hoje eu sou inteiramente realizada”. Ela ressalta que a paixão pela carreira policial é inexplicável, “tem umas mulheres que parecem que elas gostam dessa área assim, ou é policial ou não é nada”.

Com dois filhos pequenos, ela iniciou a carreira no estado de Mato Grosso onde ficou por cinco anos até voltar para Belo Horizonte. Em Pontes de Lacerda – MT, primeiro local onde ela atuou por um ano, foi a primeira mulher a fazer parte do Grupo de Policiamento Tático (GPT) da PRF que atuava no combate internacional de drogas na fronteira com a Bolívia.

Angélica ficou mais quatro anos em Primavera do Leste e voltou para Minas até o convite para comandar a 5ª Delegacia da Polícia Rodovia Federal em Primavera. “Poxa estou meio insatisfeita com isso, queria fazer outra coisa e aí esse convite veio. Aí eu falei: Meu Deus, eu acho que era a oportunidade que eu estava esperando para fazer algo novo na PRF, para nascer de novo dentro de mim essa motivação pelo trabalho”, fala.

Ela ainda fala que teve medo em aceitar o convite e voltar a cidade. “Eu falei meu Deus vou deixar tudo aqui e vou voltar para o Mato Grosso? Foi um desafio que eu assumi porque eu já estava um pouco cansada do trabalho da pista em si”.

Movida pela paixão pelo trabalho, ela está sempre em busca de coisas novas, de novos aprendizados, “porque tem muitas coisas para eu aprender. Eu acho que quando a gente tem coisa para aprender, tem coisa para conquistar, é isso que motiva a gente a levantar e ser feliz no trabalho”.

Angélica não teme o desconhecido, ela sempre busca o aprendizado em tudo o que acontece, “a segunda-feira, por ser o início da semana, é desafiador, porque, às vezes as pessoas falam assim ‘sextou’. Já eu falo, ‘segundou’ sem o menor medo de ser feliz porque é maravilhosa a minha semana, as coisas que eu vou conquistar, as coisas que eu vou aprender”.

 

 

Delegada Anamaria.jpeg

 

Delegada da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos

Mais um exemplo de mulher nas forças policiais, a delegada Anamaria Machado Costa é hoje a responsável pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF).

Oito anos de carreira na Polícia Civil - PC, Anamaria enfrenta com garra as dificuldades que a carreira impõe. Alagoana de Maceió, ela decidiu mudar não só de carreira, mas de cidade. Oficial de Justiça no estado de Alagoas, largou tudo para tentar a carreira como delegada.

Anamaria atuou primeiramente na região de fronteira. Delegada de São José dos Quatro Marcos, respondia por várias cidades, inclusive por Cáceres, polo regional da PC. Em três anos e meio de trabalho, mostrou que não estava de brincadeira e, juntamente com a equipe da delegacia, Anamaria conseguiu realizar vários combates ao tráfico de drogas.

Sua atuação no combate as drogas a levou para Cuiabá para a uma delegacia especializada em repressão a entorpecentes, “ela é especializada só combate ao tráfico e tem atuação em toda região do estado”, fala. Isso a levou novamente à fronteira devido ao tráfico internacional de drogas.

Anamaria fala que a paixão dela pela cidade de Primavera foi o que a trouxe para a DERF, “por conhecer Primavera, me apaixonei pela cidade, minha irmã mora aqui, meu cunhado é policial rodoviário federal aqui, então eu solicitei a chefia para vir para Primavera”. Ela está há quatro anos na delegacia e também coordena do Núcleo de Inteligência que atua em toda região.

A delegacia fala que a família sempre a apoiou, “meu pai é falecido. Sempre me deu a maior força para que eu exercesse essa função, parece que o sonho era nosso”. Ela diz ainda que tem um irmão que é delegado em Maceió. Tem um cunhado que é policial e o marido investigador.  “Respiramos polícia, até em casa, conversando, o assunto é polícia”, brinca Anamaria.

Sobre preconceito ela fala que percebe que está diminuindo e que no início sofreu um pouco s quando estava na fronteira. “Lá eu estava assumindo o lugar que hoje é o meu atual chefe, diretor de interior, Dr. Walfrido (Franklin do Nascimento). Ele é um cara que exerceu um grande trabalho lá, ficou muitos anos na fronteira e veio uma mulher para a fronteira. Tem por parte de alguns a dúvida, será que ela vai conseguir manter o mesmo padrão que o outro?”.

De uns anos para cá o número de mulheres dentro da Polícia Civil aumentou. Anamaria lembra que quando ela idealizou o sonho de ser delegada ela percebeu o preconceito, “Não era uma função para mulher. De uns anos para cá eu notei que a mulher busca muito ser investigadora, ser escrivã, delegada, para esses cargos da Polícia Civil”.

Ela ressalta que na equipe dela há várias mulheres. “Temos mulheres aqui, tanto escrivãs, como policiais, a minha chefe de operações é uma mulher, é uma policial que já foi da Força Tática da PM” .São investigadoras, escrivãs, delegada. E assim a Polícia Civil mostra que lá também é lugar para elas.

 

Câmara dos Vereadores

 

iva viana.jpg

 

Carmem.jpeg
Edna.jpeg

 

 

Três mulheres ocupam hoje cadeiras no legislativo. Carmem Betti, Edna Mahnic e Iva Viana, são as representantes das mulheres na câmara. Com 15 cadeiras, um terço é ocupado por mulheres, um número pequeno, mas que representa uma vitória para elas.

Edna e Iva estão no primeiro mandato já Carmem, está no segundo mandato e, hoje, é a vice-presidente do Legislativo.

São três mulheres diferentes com as mesmas preocupações e anseios. E que tem  orgulho em representar as mulheres em um cargo tão disputado, “é uma honra representar a mulher na Câmara municipal, e buscar soluções através de decisões políticas que beneficiem não só as mulheres mais toda população”, ressaltou Edna.

A vereadora Edna destaca que existe uma dificuldade em aceitar que a mulher também possa gostar de política, se envolver com ela, “cada mulher que assume um cargo na política é um homem a menos”. Ela cita que a representatividade da mulher na política é de 30% e que isso precisa mudar, “não estamos aqui para apenas preencher cota”, complementa.

Iva acredita que a mudança desta realidade esteja próxima.  “Hoje podemos dizer que trabalhamos em união, harmonia e respeitando as diferenças e ideologias de cada um”.

Como em todo e qualquer setor, a vida política é cheia de desafios e dificuldades. Elas destacam que as dificuldades já começam na campanha eleitoral, “infelizmente ainda convivemos em uma sociedade machista que não aceita a mulher se destacando no poder e podemos ver claramente isso nas eleições onde a maioria dos partidos usa da mulher apenas como escudo para preencher as cotas partidárias”, relata Iva.

Edna destaca ainda, as campanhas “os homens sempre estão acompanhados das mulheres nas campanhas, e as mulheres? São raros os maridos que as acompanham”. Outro ponto destacado por ela é a porcentagem dos fundos partidários que, de acordo com a vereadora, são irrisórios diante dos destinados a homens.

Iva Viana ressalta a importância da mulher na sociedade em todos os aspectos, porque, além de serem firmes, “elas usam da emoção para entender as situações e resolver com mais agilidade e clareza os problemas encontrados”, pontua Iva.

Edna destaca ainda que a mulher tem que ter voz e buscar a representatividade. “Discutir com voz feminina as políticas públicas voltadas a todos os públicos: homem, mulher, criança, idoso”. A vereadora complementa dizendo, que a mulher deve estar presente nas discussões em todas as esferas sociais “visando sempre a defesa e melhoria das condições não só da mulher, mas de toda sociedade”.

A discriminação está presente em diversos setores da sociedade, como foi dito anteriormente no texto, existe nas forças policiais e também existe na política. Iva fala que, na política, já foi maior, “as mulheres estão buscando cada dia mais entrar na vida pública e se destacando nos setores tantos privados e público”. Edna ainda lembra das diferenças salariais, “as mulheres ganham menos que homens em inúmeros setores e postos de trabalho”, conclui.

Diretora do 40º Ciretran

 

Lenice.jpeg

 

A 40° Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) é comandada por Lenice Freitas Teixeira. Há seis anos à frente da instituição, Lenice tem demonstrado um relevante trabalho. Mas não só na instituição.

Natural de Poxoréu, cidade vizinha a Primavera, Lenice atua na cidade desde 2001. Já foi professora, coordenadora pedagógica, diretora escolar, presidente da Comissão de Avaliação de Servidores, entre outras funções.

Como presidente da Comissão, Lenice foi responsável pela formação e aprimoramento profissional de mais de 1800 servidores municipais. Mas não é só isso, ela também foi diretora da Junta de Recursos Administrativos (Juri).

Com tantos trabalhos desenvolvidos na cidade, Lenice recebeu em 2009, moção de aplausos da Câmara dos Vereadores pelos relevantes serviços prestados à sociedade. Outro reconhecimento aconteceu em 2014 com o título de Mulher Cidadã. Mas isso não resume a vida de Lenice, ela é mãe, é esposa é filha e é mulher.

Estas e outras tantas mulheres lutaram muito para chegar onde chegaram. Lutaram contra o preconceito e, ainda, o enfrentam. Bateram de frente com o machismo e ocupam cargos criados por homens para homens e com competência, mostram que a mulher é sim capaz.

 

PARABÉNS À TODAS AS MULHERES

 

0 Comentário(s)
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!
Edição impressa
imagem
os maiores eventos e coberturas
Você é a favor ou contra a privatização da MT 130 sentido Paranatinga?
A favor
Contra
Tanto faz