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Segunda-feira, 30 de Março de 2020, 08h:41

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Brasileiras falam sobre medidas adotadas no Japão em relação ao Coronavírus

Aulas foram suspensas e existe a falta de máscaras e álcool gel, porém, ainda não há isolamento social


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Jaqueline Hatamoto

O  Japão tem sido o país utilizado como exemplo por diversos governantes que defendem o funcionamento do comércio e a volta da população ás ruas, evitando aglomerações. No cenário atual, o Japão, poderia ser um dos locais mais afetados pelo novo coronavírus, além de estar mais próximo da China, foi um dos primeiros a confirmar casos do.

Um outro fator predominante para a infecção está na população, os maiores de 65 anos representam 28%. O país também é conhecido pelo elevado consumo de tabaco e enorme densidade populacional. São quase 127 milhões de habitantes em um território quase do tamanho do Mato Grosso do Sul, Estado onde vivem 2,6 milhões de brasileiros.

Porém, contrariando a regra, até agora (27/03), o Japão registrou 1.307 infectados e 45 mortos pela Covid-19.

Para saber como está a rotina no país nossa equipe de reportagem falou com duas brasileiras que moram no Japão e tem parentes no Mato Grosso.

Rute e Andreia Hatamoto, apesar de morar em cidades diferentes relatam que nenhuma medida mais rigorosa, a não ser a antecipação das férias, foram adotadas nas cidades, nem mesmo o isolamento é obrigatório. 

Andreia mora na cidade de Toyohashi-Shi no Estado de Aichi-Ken, ela relata que por lá, as pessoas ainda mantêm os mesmos hábitos. “Por aqui está tudo ‘tranquilo’. As pessoas continuam saindo de suas casas para trabalhar para ir em restaurantes, shopping e o comércio todo permanece aberto. O governo não decretou quarentena, mas as aulas foram canceladas e eventos  com grande número de pessoas também estão sendo cancelados”.

Na cidade onde ela mora há sete anos, nenhum caso foi confirmado, porém no estado o número passa dos 120. Mas a orientação do governo é uma só. “O governo nos orientou a sair de casa o mínimo possível, mas como eu havia dito nada fechou. Porém, em pronunciamento o ministro disse que se houver necessidade ele vai decretar emergência em todo país”, pontuou.

Rute mora na Província de Shimane, cidade Izumo-Shi, o caso confirmado mais perto está a 120 quilômetros de distância, em Hiroshima, onde há três pessoas infectadas. Lá a orientação é não frequentar lugares superlotados e sempre fazer uso do álcool gel e lavar as mãos. O único problema encontrado pela brasileira está na falta de materiais necessários para a prevenção. “Quanto água, comida e luz não está havendo nenhum racionamento só está escasso máscaras e álcool”.

Mas como o país consegue controlar de certa forma a proliferação do vírus? Segundo Andreia a resposta está nos hábitos dos japoneses. “Eles (japoneses)  tem o costume de usar máscaras, mesmo não tendo nada, tirar os sapatos para entrar dentro de casa, até dentro dos carros. E tem o costume, de não cumprimentam usando o aperto de mão, abraços e beijos. São mais individualistas diferente dos italianos. O convívio social é mais restrito. Creio, que é por isso, que não se espalhou com tanta velocidade como em outros países. Nos banheiros é possível encontrar sabão líquido, torneiras com sensores de aproximação, secadores de mãos com jatos de ar aquecido, tudo bem moderno e higiênico. Isso contribui muito. Há também álcool na saída de todos comércios, bancos e correios”, pontuou.

Um outro fator segundo a entrevistada está no fato de que lá, do outro lado do oceano, todos tentam colaborar. “O Japão ainda não está em quarentena, mas cada um de nós fazemos nossa parte. Temos a consciência que é necessário todo cuidado e prevenção. Aqui as pessoas procuram sair de casa somente quando realmente é necessário”, finalizou.

 

ALERTA

Apesar de a formula estar funcionando no país. Segundo especialistas, a estratégia do Japão sem quarentenas massivas deve ser vista com cautela por países menos desenvolvidos.

“Todos nós estamos tentando encontrar lugares e exemplos onde os números permanecem baixos sem tamanha paralisação da sociedade. Porque não podemos continuar com o bloqueio, mas ao mesmo tempo não podemos voltar à vida normal, que tínhamos seis meses atrás, porque é muito fácil para o coronavírus espalhar”, afirmou Cowling, da Universidade de Hong Kong.

“Precisamos encontrar algo intermediário, e talvez a experiência japonesa seja mais sustentável”, acrescentou.

 

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