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EDITORIAL /

Domingo, 22 de Janeiro de 2012, 21h:36

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A efêmera virtualidade do amor

Amamos em um clic, nem mesmo um gesto de carinho é capaz de descongelar nossa incapacidade de dialogar


Redação: Janine de Oliveira

Parei para pensar sobre o amor no século XXI e constatei que quanto mais o homem se aprimora tecnologicamente, mas se perde afetivamente.
As relações interpessoais já não são mais tão calorosas. São as frias teclas e telas de um computador que ligam as pessoas, não quero fazer apologias e dizer que a modernidade é um grande mal. 
Apaixona-se e se esquece fácil, as dores são logo curadas pelo outro contato do messenger que se estabelece, é como tomar um remédio instantâneo para a dor.
Abraços de buddy poket são mais comemorados e valorizados que olhares sinceros e reais, namoros relâmpagos de uma semana, sem beijos, sem abraços, sem sentimentos e não necessariamente sem alguma parcela de dor, sem falar em outros problemas que ficarão para a próxima oportunidade, casos de polícia, pela vulnerabilidade de nossa inocência.
O big brother permitido, estampado, a comemoração de ganhos pessoais. Queremos privacidade, mas pouco cuidamos para que ela exista. É a arma para exposição do ego, funciona mais como termômetro do quem é o melhor. A imagem  perfeita, daquilo que na maioria das vezes não somos.
O fato é qual a real evolução da humanidade. Inventamos máquinas para substituir pessoas, ao invés de aprimorar, ficamos dizendo a nós mesmos que queremos o isolamento, ao invés de buscarmos a perfeição nos colocamos escondidos em cavernas cheias de botões, ao invés de estreitarmos relações ficamos robóticos, nem mesmo o toque, o aconchego e o poder de cura de um abraço terá efeito.
Trocamos de amor em um clic, nem mesmo o olhar ou o gesto de carinho foi capaz de descongelar a nossa falta de capacidade de diálogo. Falamos mais e compreendemos menos, conhecemos mais e entendemos menos, amamos com mais facilidade e nos valorizamos cada vez menos, esperamos mais e agimos menos, produzimos mais e aproveitamos menos. Até quando iremos tornar o ser humano efêmero e virtual?
Vivemos na era onde quem é mais informado, quem desponta é aquele que detêm o conhecimento, planeja-se estrategicamente, vivesse sem planos, mecanicamente, colocamos o sentimento a afetividade em stand by, no piloto automático. Chegará o momento em que tudo isso se tornará obsoleto, haverão pilhas de parafernálias tecnológicas, para isso não é preciso ir muito longe, basta apenas fazermos uma visita a uma sala de espera de psiquiatras ou psicólogos. Elas estarão cheias de pessoas quase desfiguradas pela dor, onde diagnósticos com remedinhos, por vezes agressivos, mas que “acalmam”, fazem efeito. Se fica parecendo o homem que foi a lua, totalmente sem gravidade, sem eixo, sem chão. O que todos buscam lá? As respostas que perderam inventando maneiras de não precisar de afeto, de não precisar do outro. O que buscam lá? Aprender a coisa mais simples, que nossos avós sabiam muito bem o que era, resolver problemas que foram criados se não fosse a ânsia de sermos autosuficientes. Nossa! Depois de tudo isso lembrei que isso pode acontecer comigo...irei largar os ponto.com, para me aliar a projetos maiores, mudarei o foco do mais fácil para fazer o que é . Vou olhar o por do sol enquanto ele ainda existe.
Hasta luego!

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