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EFEITO COVID-19 /

Segunda-feira, 26 de Outubro de 2020, 06h:30

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Pesquisa aponta que brasileiros confiam menos em vacina chinesa

38% também apresenta rejeição à vacina Russa


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Da Redação/Com CNN

Quase metade dos brasileiros (46%) afirma que não tomaria uma vacina contra a Covid-19 de origem chinesa. A rejeição a um imunizante chinês é maior do que de origem russa, rejeitada por 38% dos entrevistados, de Oxford (Reino Unido) ou dos EUA e Alemanha, ambos com rejeição de 22%. O Brasil já registrou 5,1 milhões de casos da doença e mais de 150 mil mortes. 

 

É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto Real Time Big Data, encomendada pela CNN Brasil. Foram entrevistadas 1 mil pessoas por telefone nos dias 13 e 14 de outubro. A margem de erro é de três pontos (para mais ou para menos) e o nível de confiança é de 95%. Isto significa que se a mesma pesquisa fosse feita 100 vezes, o resultado seria o mesmo, dentro da margem de erro, em 95.

No Brasil estão em teste as seguintes vacinas: a da farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, a da Universidade de Oxford/AstraZeneca (Reino Unido), a da Pfizer/BioNtech (EUA e Alemanha) e a da Johnson & Johnson/Janssen (Bélgica) - esta última teve o teste pausado nesta semana, após um participante adoecer.

A aceitação à origem das vacinas oscilou de acordo com a faixa etária dos entrevistados e outras características como gênero e região. No caso da China, por exemplo, a rejeição é menor entre 16 e 24 anos (37%) e maior entre os que têm 49 e 59 anos (56%).

A pergunta feita pelo instituto não citou o nome das vacinas ou fabricantes, mas somente o dos países envolvidos, da seguinte forma: “Você tomaria a vacina da China?” (e em seguida da Rússia, de Oxford e dos EUA/Alemanha).

A aceitação à origem das vacinas oscilou de acordo com a faixa etária dos entrevistados e outras características como gênero e região. No caso da China, por exemplo, a rejeição é menor entre 16 e 24 anos (37%) e maior entre os que têm 49 e 59 anos (56%).

Também há diferenças sobre gênero. Nas respostas sobre a Rússia, homens (43%) rejeitaram mais o imunizante do que mulheres (33%).

A maior rejeição a uma vacina vinda dos EUA e Alemanha é na região sul do país (33%), ante 23% no nordeste, 21% no sudeste e 16% no norte.

Apesar da rejeição, os números mostram que pelo menos metade da população estaria disposta a tomar qualquer uma das vacinas mencionadas, independentemente do país de origem. A Sinovac, de origem chinesa, teve resultados positivos em uma pesquisa com 50 mil voluntários na China, segundo o governo de São Paulo. De acordo com o governo paulista, a vacina é segura e não apresentou reações adversas significativas. Nos estudos clínicos que estão sendo feitos no Brasil desde o dia 21 de julho, também não foi registrada reação adversa grave.

As vacinas, ainda em fase de testes, são a maior esperança para conter o coronavírus no país e no mundo. No início de setembro, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “ninguém é obrigado a tomar vacina”, mas uma lei sancionada por ele mesmo em fevereiro estabelece a determinação de realização compulsória de vacinação e outras medidas profiláticas “para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus”.

 

1- Além da lei sancionada por Bolsonaro, há várias legislações que estabelecem vacinação obrigatória. No Brasil, a vacinação compulsória de crianças e adultos pode ser determinada pelas autoridades sanitárias e cabe ao Ministério da Saúde determinar quais vacinas são ou não obrigatórias em cada região do país e para circulação no território. A lei é a nº 13.979/20.

2- O texto, publicado em 6 de fevereiro, foi assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. O trecho da lei diz o seguinte: “Para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional de que trata esta Lei, as autoridades poderão adotar, no âmbito de suas competências, entre outras, as seguintes medidas: I - isolamento; II - quarentena; III - determinação de realização compulsória de: a) exames médicos; b) testes laboratoriais; c) coleta de amostras clínicas; d) vacinação e outras medidas profiláticas; ou e) tratamentos médicos específicos”.

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DESINFORMAÇÃO PODE MATAR

Para o virologista Rômulo Neris, doutorando em imunologia e inflamação na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a rejeição da população tem a ver, inicialmente, com duas grandes causas: a geração atual cresceu em um ambiente em que as vacinas já controlam doenças graves há décadas. “Muitas doenças que nos afetaram por muito tempo já foram controladas e hoje o peso dessas doenças, prevenidas por meio de vacinas, é menor”. A outra é a proliferação de informações falsas na área da saúde.

O especialista ressalta que o método da vacina chinesa Sinovac é um dos mais antigos que existe, que consiste em injetar vírus inativados por agentes químicos ou físicos no organismo, fazendo com que o sistema imunológico identifique o invasor e produza defesas contra ele. Mesmo método usado em vacinas como a da gripe, por exemplo.

 

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