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Sábado, 04 de Janeiro de 2020, 07h:00

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Homicídios aumentam em 2019

Foram registrados 16 assassinatos e quatro feminicídios


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Da Redação

Apesar da queda considerável nos crimes de roubos e furtos, o número de homicídios registrados em Primavera do Leste apresentou um aumento, se comparado ao mesmo período de 2018. No ano passado foram 15 mortes, já este ano foram 16.

De acordo com levantamento feito com base em reportagens publicadas pelo jornal O Diário e Clique F5, as principais vítimas são homens, totalizando 11, e tinham entre 17 e 39 anos. As outras são mulheres.

Entre os meios empregados para assassinar as vítimas, seis mortes foram causadas por disparo de arma de fogo e outras seis por uso de arma branca, na qual foram utilizadas facas. Os bairros onde os crimes foram registrados foram: Poncho Verde, Padre Onesto Costa, Centro, Zonal Rural, Parque Eldorado, Castelândia, Centro Leste e Novo Horizonte.

O último homicídio registrado em Primavera do Leste, até o fechamento desta edição, ocorreu no dia 30 de novembro. A vítima ainda não identificada, morreu ao dar entrada na Unidade Pronto Atendimento (UPA) após ser alvejado no tórax. Ele foi encontrado na Avenida 14 de Março, no Parque Eldorado. No Boletim de Ocorrência consta que as testemunhas passavam pelo local e terceiros pediram ajuda para socorrer a vítima, que ainda estava com vida.

O homem foi colocado na carroceria do veículo e levado até UPA, porém, não resistiu ao ferimento e morreu.

Conforme as características da vítima, ela é magra, tem entre 1,61 a 1,70 de altura, cor parda e com tatuagem nos dois braços, perna esquerda e no tronco.

As outras vítimas são: Marcos Araujo da Solva, Vanderlei da Silva Oliveira, Luiz Gonzaga, Rodrigo Pinto, Cleiton Souza, Orsino da Costa, Denilson de Oliveira, Marcelo Felix, Alesssandro Barbosa, Jorão Ferreira Leite.

 

FEMINICÍDIO

Em relação ao crime contra mulher, casos de feminicídios, colocaram a cidade de Primavera do Leste em evidência, já que foi na cidade o primeiro crime desta natureza registrado em Mato Grosso. Ao todo foram quatro mulheres assassinadas na cidade.

As mulheres assassinadas foram vítimas de seus companheiros, por isso os casos são tratados como feminicídios. O feminicídio é o homicídio praticado contra a mulher em decorrência do fato da vítima ser do sexo feminino ou em casos de violência doméstica. A Lei Federal 13.104/15 prevê reclusão de 12 a 30 anos para quem cometer este crime. Agora, no Senado Federal avança uma Proposta de Emenda à Constituição (nº 75/19) que busca tornar imprescritível este tipo de crime. Em Primavera do Leste, somente neste ano, quatro mulheres foram assassinadas.

De acordo com dados da Polícia Militar em 2019, 214 mulheres buscaram a ajuda da polícia para se livrar de agressões. No mesmo período de janeiro a dezembro, 212 homens foram conduzidos para delegacia após agredirem suas companheiras.

Os quatro crimes que ocorreram contra mulheres em Primavera do Leste foram de maneira violenta, praticados por homens e ligados a motivos passionais. Todos criminosos foram presos. Entre os principais meios empregados estão faca e arma de fogo.

Um dos casos que mais chamou atenção em Primavera do Leste, foi a morte de Thais Mara dos Santos Gomes, de 23 anos, em julho.

Os suspeitos do crime são a sogra, sogro e marido da vítima. Todos estão presos. O corpo de Thais foi encontrado dentro da casa que ela morava no Castelândia, ao lado da filha recém-nascida.

As outras vítimas são: Grasiele Lopes, de 22 anos, foi esfaqueada e morta pelo companheiro, três meses após o casamento.

Rosangela Alves de Souza, 39 anos, degolada pelo marido na frente de uma criança de oito anos.

Magna Alves, 31 anos, morreu após o namorado atirar e atropelar a vítima.

 

PRIMAVERA TEM PROJETO VOLTADO A VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA

Em outubro foi inaugurado a sede própria do Conselho Municipal da Mulher – CMDM de Primavera do Leste, espaço voltado para realizar o atendimento destas vítimas. Antes as mulheres eram atendidas na delegacia.

Com um espaço físico próprio para atendimento, a presidente do CMDM, Eusenir Novaes, acredita que o número de atendimento deve crescer ainda mais. “Com um espaço próprio, elas se sentem mais seguras e confiantes a terem mais ânimo para dialogar, pedir informações e até mesmo denunciar”, frisou.

Com o intuito de diminuir os casos de violência contra a mulher em Primavera do Leste e região, o 11°Comando Regional da Polícia Militar retomou o projeto Divvan, que tem como objetivo capacitar os policiais militares em relação ao atendimento das vítimas e também oferecer uma rede de apoio às mulheres que se encontram sofrendo qualquer tipo de violência.

A comandante do CR, a tenente-coronel Francyanne Siqueira, destaca que diversos órgãos se uniram e por isso foi possível implantar o projeto.

Além de atendimento especial, agora os policiais fazem o  acompanhamento do caso após o registro da ocorrência realizando uma visita à vítima, para identificar de que tipo de ajuda ela precisa.

Além disso, as vítimas também tiveram a opção de fazer um curso técnico e em três meses ter uma profissão. Capacitar as vítimas de violência doméstica foi uma oportunidade observada durante o projeto Divvan desenvolvido em 2018. De acordo com a coronel, observou-se que muitas mulheres perdoavam os agressores, pois não tinham como se manterem sozinhas, já que não tinham uma profissão. O curso oferecido totalmente grátis é o de manicure e foi disponibilizado pelo Senac.

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