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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2020, 17h:48

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Delegado aguarda laudos periciais para saber se homicídios ocorridos em Primavera têm ligação


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Jaqueline Hatamoto

Quatro homens foram assassinados em Primavera do Leste neste mês de janeiro. Os crimes ocorreram em bairros distintos, porém, como a forma de agir dos autores são semelhantes, a Polícia Civil aguarda a conclusão de laudos de balísticas para saber se há ou não ligação entre os fatos. Os homicídios foram registrados no domingo (26) e terça-feira (28), nos bairros São José, Centro Leste e Jardim Veneza.

O delegado responsável pela Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Pablo Rigo, ressaltou que os suspeitos dos crimes registrados no bairro São José e Centro Leste possuem a mesmas características, porém, é necessário aguardar a comprovação de exames técnicos.  “A Polícia trabalha na linha de investigação no sentido de esclarecer se há ligação ou não nos fatos. Para tanto, pedimos perícia e estamos verificando a possibilidade de um confronto balístico para que a gente possa tentar ligar essa situação. As características dos indivíduos que praticaram os dois fatos são semelhantes e o setor de investigação já está produzindo todo o material de investigação para que possamos discernir se há ou não ligação entre os fatos”, disse o delegado.

Outro fato que chama a atenção é que as vítimas dos homicídios registrados no final de semana possuem passagem criminosa e têm ligação com o consumo de entorpecentes. “Outro fato que chama atenção está no depoimento dos que sobreviveram nos crimes. O do (bairro) São José diz que estava indo comprar drogas, por ser usuário. A outra vítima que estava no bar tem um histórico criminal robusto, com várias passagens e inclusive em um período anterior foi vítima de tentativa de homicídio”, expôs Pablo.

O delegado ressalta que a falta de capacidade das vítimas em identificar e falar sobre o crime tem dificultado um pouco o trabalho da polícia.  “Uma das vítimas não sabe identificar quem seria as pessoas que estariam tentando contra a sua vida. Então há uma dificuldade no trabalho da polícia. Nenhum dos sobreviventes conseguem nos dar nenhuma informação que possa nos ajudar a esclarecer os fatos”, declarou.

Em relação ao homicídio que ocorreu na terça-feira (28), que vitimou Fábio Correia, 36 anos, o delegado informou que investigações preliminares não apontam ligação com os crimes do final de semana, no entanto, nenhuma hipótese foi descartada. “Não parece de primeiro momento que haja ligação entre os fatos, mas ainda não descartamos nenhuma possibilidade. Vamos pedir o confronto balísticos, de imagens e testemunhas, e verificar se há ou não ligação, se são ou não fatos isolados”, ressaltou Rigo, que ainda informou que a vítima também tinha passagem pela polícia por um crime cometido no Paraná. 

Para tentar esclarecer os fatos e tentar chegar a uma motivação para o crime, a esposa de Fábio foi ouvida na manhã de quarta-feira (29).

 

MORTES LIGADAS A FACÇÕES CRIMINOSAS

Logo após os homicídios serem registrados, mensagens de texto e áudios começaram a ser compartilhadas via aplicativos. As mensagens diziam que as ações fazem parte de uma briga entre facções criminosas. “É o PCC de fora querendo tomar território em Primavera do Leste... Não fica moscando na rua (sic)”, diz trecho do texto divulgado.

Em relação ao assunto, o delegado ressaltou que a mensagem é falsa e tem como único objetivo trazer medo e pânico para a sociedade. “Não há nenhum fundamento nisto que está sendo compartilhado. Organizações criminosas não trabalham neste tipo de formato. Todos os outros fatos que ocorreram, que a polícia conseguiu investigar e chegar a uma autoria, é totalmente diferente disso. Ninguém noticia que vai praticar crimes, que vai praticar atentados em uma cidade, porque sabe que logicamente a polícia estará preparada para evitar confrontos neste sentido. Então isso não passa de tentativa de alarmar a sociedade, trazer o caos, preocupação e demonstrar uma falta de segurança que não há”, declarou Pablo.

O delegado ressaltou ainda que até os registros de homicídios no domingo (26), Primavera do Leste, era a única regional do estado que não havia tido nenhum assassinato e ressaltou “esses áudios e mensagens têm como objetivo trazer apenas o medo e o terror e demonstrar uma força que não há”.

Em relação à informação de que um grupo de extermínio estaria agindo em Primavera do Leste, o delegado destacou que a polícia de uma forma geral trabalha para combater esse tipo de ação. “Nós temos um combate que vem sendo feito a bastante tempo, inclusive no ano passado e retrasado foram 63 prisões contra associações criminosas. Há inclusive operações em andamento em âmbito estadual e federal. Há organizações que atuam, mas as autoridades vêm combatendo”, destacou.

O delegado pediu ainda a ajuda população para que contribuíam com informações que possam ajudar nas investigações. A identidade do denunciante é mantida no mais absoluto sigilo.

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