PICO DO CORONAVÍRUS /

Quarta-feira, 10 de Junho de 2020, 18h:57

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Com mais de 300 mil casos, pico da Covid-19 em Mato Grosso será em setembro, aponta estudo

Estima-se quase 40 mil casos na regional Sul de saúde, a qual pertencem Primavera e Campo Verde


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Wellington Camuci

Um estudo realizado pelo Departamento de Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso, aponta que o estado deve atingir o pico de contaminações pelo Novo Coronavírus até 03 de setembro, chegando a 307.852 casos registrados. O estudo leva em consideração a taxa e velocidade de infecção até 30 de maio.

Seguindo a projeção, estima-se que a região de saúde Sul Mato-grossense atinja 39.308 casos confirmados. A região é composta por 19 municípios, entre eles Primavera do Leste e Campo Verde com taxas de confirmados (casos/100.000 habitantes) de 295,1 e 183,9, respectivamente.

O primeiro caso confirmado em Primavera do Leste foi em 07 de abril, 60 dias depois já passavam de 180 casos. Somente nos oito primeiros dias de junho foram registrados 78 novos casos, uma média de 9,75 casos por dia. Campo Verde, por sua vez, teve a confirmação do primeiro caso em 12 de maio e em 27 dias outros 98 casos foram confirmados, uma média de 3,66 casos por dia.

Um dos motivos para o aumento expressivo no número de casos confirmados está no alto registro de testagens, até o dia 08, foram realizados 2.272 testes em Primavera. Campo Verde registrou 588 testes realizados.

A previsão do novo pico foi feita por meio de projeções matemáticas, que consideram a proporção de infectados e o número acumulado de casos, e considerando que não haja alteração referente às medidas de controle.

A taxa de incidência leva em consideração o tempo entre o primeiro caso até 30 de maio. A região possui a terceira maior taxa de incidência de casos, 63 dias após o primeiro registro (75,37/100.000 hab.), ficando atrás apenas da Baixada Cuiabana (103,84/100.000 hab.) e Araguaia Xingu (94,72/100.000 hab.), 72 e 43 dias, respectivamente.

Mato Grosso teve o primeiro registro em 20 de março, até 30 de maio, 72 dias depois, já eram 2.413 casos distribuídos em 91 municípios. Em apenas oito dias, esse número chegou a 4.243, 1.830 casos confirmados, um aumento de 75,83%.

O estudo aponta ainda a diminuição no intervalo de infecção no estado, foram necessários 20 dias para alcançar os primeiros 100 casos, para atingir 200 decorreram mais 12 dias e para 300, somente mais 7 dias. A partir de 10 de maio (SE 20), a cada dois dias são contabilizados pelo menos 100 casos.

As projeções para as regiões de saúde mostraram diferenças importantes na velocidade do aumento de número de casos, o que refletiu na variação entre as previsões de pico para cada região. A partir delas, estima-se que seis regiões atingirão o pico no mês de agosto e outras cinco regiões na primeira quinzena de setembro.

Para as regiões Norte e Norte Araguaia Karajá, a estimativa é que atingirão o número máximo de casos em 78 e 95 dias, respectivamente. Já nas regiões Oeste e Centro Norte, o pico deve acontecer em cerca de 300 dias.

Este rápido crescimento de casos afetando um maior percentual de habitantes indica que pode haver um forte impacto na demanda por acesso a leitos hospitalares e UTIs. Entre essas seis regiões com rápido crescimento no número de casos, duas não possuem leitos clínicos ou de UTI exclusivos para a Covid-19: Araguaia Xingu e Norte Araguaia Karajá. Além disso, a região Norte não possui leitos de UTI, apenas 20 leitos clínicos.

Após atingir o pico, deve-se atentar que a curva epidemiológica decresce, contudo, a desaceleração se dá lentamente, ou seja, a disseminação do vírus permanece, mas o número de infectados se espalha ao longo do tempo até cessar o número casos.

A análise o panorama da COVID-19 segundo regiões de saúde revelou que distintas ações podem influenciar na resposta local ao coronavírus, resultando em maior ou menor incidência de casos bem como na intensidade de transmissibilidade. Portanto, as diferenças encontradas entre as regiões de saúde de Mato Grosso devem ser consideradas na definição de estratégias de enfrentamento da COVID-19 que incorporem as particularidades locais e regionais.

 

MEDIDAS PARA FREAR O VÍRUS

Na tentativa de frear a contaminação pelo vírus e diminuir os riscos de colapso, várias mediadas foram tomadas em todo o estado, como fechamento de comércio, implantação de barreiras sanitárias, proibições de aglomeração, aumento na testagem para identificar os casos mais rápidos.

Em Primavera do Leste e Campo Verde a rápida infecção da população levou o executivo, juntamente com os comitês criados para enfrentar o vírus, a tomar diversas medidas, algumas muito criticadas pela população.

Primavera fechou casas noturnas, academias, igrejas, proibiu eventos, festas, uso de praças e parques públicos, atendimento de clientes em bares, restaurantes e lanchonetes, restringiu funcionamento e acesso de clientes em comércios. Medidas que foram abrandadas ou endurecidas durante o tempo, sempre levando em consideração os números da Covid-19.

Diferente do que aconteceu em outras cidades do estado, Primavera não fechou as portas. Durante os 62 dias de pandemia na cidade, o comércio continua funcionando com medidas de segurança. Bares, lanchonetes e restaurantes voltaram a funcionar com atendimento de clientes, porém com limitação de pessoas, uso obrigatório de máscara e álcool e espaçamento.

Igrejas foram liberadas e tiveram que ter restrições novamente. Eventos foram autorizados, pouco tempo depois tiveram que ser proibidos mais uma vez em decorrência do expressivo aumento de casos em poucos dias. Do dia 01 ao dia 08, foram confirmados 70 casos na cidade, chegando a 190, um aumento de 58,33%.

Campo Verde tem poucos dias de contágio (27 dias) e um aumento assustador no número de casos, 99 casos até segunda-feira (08). Em apenas oito dia, o município registrou um aumento de 73,68% nos casos, indo de 57 para 99.

Os dados levaram a prefeitura a tomar medidas mais drásticas, bares, restaurantes e lanchonetes estão proibidos de atenderem ao público. O serviço está permitido somente em sistema de delirery. Chegou a ser anunciado a implantação do toque de recolher na cidade, porém, a decisão foi revista e, de vez proibir a circulação de pessoas após às 22 horas, restringiu o funcionamento do comércio depois deste horário.

De acordo com o novo Decreto, fica vedado o funcionamento de academias de ginásticas, de musculação, ginástica funcional, crossfit, estúdio de pilates, de yoga, escolas de natação e congêneres.

Também está proibido a celebração de missas, cultos e celebrações religiosas presenciais. As feiras livres em espaços abertos não poderão ser realizadas. Escolas e instituições de ensino de qualquer natureza também estão proibidas.

Entre as 22 horas e 05 horas, está proibido o atendimento presencial em qualquer estabelecimento comercial, exceto nas empresas que prestam serviços na área da saúde, segurança, hospedagem, indústrias, postos de combustíveis e serviços públicos.

Outra proibição é a utilização de ruas, canteiros e espaços públicos para a realização de reuniões ou encontro de pessoas está proibida, porém, esses locais poderão ser utilizados para a prática de atividades físicas desde que mantida a distância de 1,5 metros entre os praticantes e o uso de máscara facial.

 

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