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Quarta-feira, 10 de Julho de 2019, 07h:00

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Masoquismo

Qualquer comportamento que gera prejuízos pode ser avaliado como uma forma masoquista


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Beatriz G. Rufato

Masoquismo é o termo usado para designar o comportamento de uma pessoa que sente prazer a partir da dor e/ou do seu próprio sofrimento. A palavra também está associada a práticas sexuais em que há obtenção da satisfação através da dor física, mas o conceito é amplo e vai muito além do que percebemos. Se você perguntar a um grupo de pessoas se alguém sente prazer em sofrer, provavelmente todos responderão “não”. Dificilmente alguém admitirá conscientemente que busca seu próprio padecimento. Mas, não ter consciência do problema não significa que ele não exista. Muitas vezes é preciso enxergar além do óbvio para conseguir percebê-lo.

Muitos acham impossível ser um masoquista porque consideram essa anomalia algo voluntário, o quanto na verdade ela independe da vontade, simplesmente se impõe, às vezes em situações tão comuns que passa até despercebido. Qualquer comportamento que se repita frequentemente e gera prejuízos a quem o pratica pode ser avaliado como uma forma masoquista, a se ver pelos viciados em fumo, drogas, álcool ou relacionamentos destrutivos.

Uma conduta ao estilo “dói, mas eu gosto”. Como por exemplo: um casamento ruim onde a parte prejudicada, mesmo sofrendo, não abre mão da relação. Um funcionário permanentemente humilhado pelo chefe, que mesmo assim aceita aquela condição. Uma relação de amizade onde um lado explora e o outro atende prontamente as explorações considerando aquele seu melhor amigo, etc.

O masoquista mesmo sofrendo, não abre mão de quem o maltrata, ao contrário, se gaba de ser “forte” para aguentar aquela situação. Aliás, uma característica relevante deles é a dificuldade em romper laços nocivos. São capazes de permanecer anos numa condição desconfortável e ainda achar que não está tão ruim assim. Esse masoquismo cotidiano não é percebido com clareza pelos envolvidos, mas sim pelos expectadores que ficam sem entender a razão lógica daquela relação, uma vez que só há desvantagens.

A explicação pode estar no prazer que decorre da dor. Não um prazer clássico manifestado através da alegria, mas um prazer obscuro subentendido na dificuldade de eliminar quem o prejudica (o sádico), configurando uma típica relação sadomasoquista. O ponto curioso é que, por serem anomalias afins, o sadismo e o masoquismo podem se manifestar numa mesma pessoa.  Dessa forma, quem está acostumado a sofrer pode inverter o ciclo e começar a causar sofrimento.

Um exemplo típico dessa inversão é a vingança – pessoas que passam anos se submetendo a maus-tratos, de repente se rebelam e começam a torturar o outro. O masoquismo nosso de cada dia não é fácil de ser compreendido, ele faz uma trama mental sofisticada que dificulta a percepção da realidade. Essa dificuldade em ver as coisas como elas são faz com que o masoquista não evolua. Ele segue transformando sua raiva em mágoa, permanecendo, em alguns casos, boa parte da vida nesse cárcere emocional.

 

Beatriz Rufato

Psicóloga

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