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Quarta-feira, 05 de Dezembro de 2018, 10h:46

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Nova fase da Lava Jato põe em cheque delação de ex-diretor da Petrobras

Marcelo Camargo/ Agência Brasil Já condenado na Operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa cumpre pena em regime aberto no Rio de Janeiro O ex-diretor...


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Já condenado na Operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa cumpre pena em regime aberto no Rio de Janeiro
Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Já condenado na Operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa cumpre pena em regime aberto no Rio de Janeiro

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e delator da Operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa, pode ter seu acordo de colaboração revisto por conta dos desdobramentos da  57ª fase da operação, deflagrada nesta quinta-feira (5).

Foi descoberto esquema que envolvia pagamentos de propina em operações de compra e venda de petróleo entre a Petrobras e empresas estrangeiras. Os valores, segundo apurou a Operação Lava Jato , beneficiavam agentes públicos da gerência executiva de Marketing e Comercialização, que é subordinada à diretoria de Abastecimento, então comandada por Paulo Roberto Costa. O delator, no entanto, nunca relatou a existência desse esquema.

"Há e-mails que indicam que o então diretor Paulo Roberto Costa tinha um acerto com o operador do PP João Cláudio Genu para também repassar e receber comissões de parte dessas operações comerciais", informou o delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace.

Principal alvo da nova fase da Lava Jato e tido como "líder" desse esquema recém-descoberto, o ex-gerente da Petrobras Carlos Roberto Martins Barbosa foi flagrado reclamando com Paulo Roberto de ter que repartir propina com agentes políticos.

"O Carlos Roberto Martins Barbosa reclama que, em época de eleição, agentes políticos buscavam parte dos recursos de propina que eram angariados na área dele. Ele reclama que queria áreas novas para tentar fugir de pleitos de agentes políticos. O curioso é que o Paulo Roberto Costa não narrou esse esquema no momento de sua colaboração", diz Hille Pace.

Segundo o delegado, Paulo Roberto, que atualmente cumpre pena em regime aberto , no Rio de Janeiro, sem uso de tornozeleira eletrônica, pode sofrer sanções. "Se tivermos indícios de omissões dolosas, terá que ser efetuada alguma medida contra ele. É uma questão que vai ser objeto de diligências", explicou o delegado.

As investigações da Operação Lava Jato – fase 57

Segundo Operação Lava Jato, novo esquema descoberto na Petrobras resultou em ao menos US$ 11 milhões em propina
Tânia Rego/Agência Brasil - 31.7.2015
Segundo Operação Lava Jato, novo esquema descoberto na Petrobras resultou em ao menos US$ 11 milhões em propina

De acordo com as investigações, operações da gerência sob o comando de Carlos Roberto Martins Barbosa movimentaram cerca de US$ 11 milhões em propina. O dinheiro, segundo a Polícia Federal , era repassados a agentes públicos em espécie, por meio da atuação de doleiros, e também por meio de depósitos em contas offshore.

As investigações incluíram pedidos, por meio de cooperação internacional, para a quebra do sigilo de 26 contas situadas nos Estados Unidos, na Suécia, na Suíça, no Uruguai, no Panamá, em Portugal, em Bahamas e no Reino Unido. Segundo Filipe Pace, Carlos Roberto chegou até mesmo a, em 2014, fechar contas e transferir US$ 1,8 milhão para um advogado devido ao temor da delação de Paulo Roberto Costa, que já era discutida à época.

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O delegado da Polícia Federal explicou que todos os pedidos de prisão feitos no âmbito dessa nova fase – batizada de Operação Sem Limites – foram no modelo preventivo (sem prazo definido para soltura) porque já há muitas provas contra os investigados. "Nunca havia visto tanta prova documental. E isso se deve, provavelmente, por conta de tantas operações que eram realizadas. Eram operações em grande frequência e isso não tinha como não deixar rastros."

A 57ª fase da Operação Lava Jato já resultou na prisão de seis pessoas (foram 11 mandados expedidos pela juíza Gabriela Hardt, de Curitiba). Três alvos desses mandados de prisão estão foragidos fora do Brasil e foram incluídos na chamada descrição vermelha da Interpol. Um deles é funcionário do escritório da Petrobras em Houston, no Texas (EUA).

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