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Terça-feira, 13 de Agosto de 2019, 17h:30

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Para analistas, país pode ter segundo trimestre seguido de queda no PIB

A deterioração do cenário externo — com a tensão comercial entre EUA e China e o avanço do partido de Cristina Kirchner nas prévias da eleição na...


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A deterioração do cenário externo — com a tensão comercial entre EUA e China e o avanço do partido de Cristina Kirchner nas prévias da eleição na Argentina — somada à conjuntura de atividade fraca podem empurrar o Brasil para o segundo trimestre seguido de resultados negativos na economia. Isso caracterizaria a chamada recessão técnica.

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Aprovação da reforma da Previdência, liberação do FGTS e mudança nas regras das vendas do gás podem ajudar no PIB

Analistas já refazem as contas após a divulgação, nessa segunda-feira (13), do IBC-BR, índice do Banco Central que funciona como uma  prévia do Produto Interno Bruto ( PIB ) e apontou queda de 0,13% entre abril e junho. Os dados oficiais sobre o desempenho da economia serão divulgados pelo IBGE no fim do mês.

Na avaliação de especialistas, medidas recentes que têm potencial para alavancar a economia, como a aprovação da reforma da Previdência , a liberação de recursos do FGTS e a mudança de regras no mercado de gás, só vão surtir efeito nos próximos trimestres.

Ainda não há consenso entre os especialistas se a economia vai, de fato, cair ou se terá avanço próximo de zero no segundo trimestre, mas, por ora, o que prevalece nas previsões é a leitura de um cenário de queda em indústria, comércio e serviços.

"Os dados fechados do segundo trimestre mostram indústria (-0,7%), comércio (-0,30%) e serviços (-0,6%) caindo. Estamos prevendo alta de 0,4% no ano, o que já é otimista. O cenário externo está desafiador, e é possível que o dólar feche o ano na faixa de R$ 4. Isso pode ajudar as exportações, mas o custo é a pressão inflacionária, que fica mitigada porque a economia está fraca", explicou André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos, que prevê queda de 0,2% do PIB no segundo trimestre.

“Difícil não ter queda no PIB ”, resume, em relatório, o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, que também espera queda de 0,2% do PIB entre abril e junho. No primeiro trimestre, a economia já havia recuado 0,2%.

BC: país está preparado

Mesmo considerando as previsões negativas, especialistas ressaltam que, na recessão técnica, há possibilidade de recuperação no curto prazo. Dois trimestres de PIB negativo não significam que o país vai fechar o ano com retração na economia. Há possibilidade de melhora no segundo semestre. As projeções para 2019, porém, ainda se mantêm cautelosas, de acordo com a pesquisa Focus, e recuaram de 0,82%, na semana passada, para 0,81%.

No mercado financeiro, o dia de ontem foi de nervosismo, influenciado pelas primárias na Argentina. Os temores dos especialistas vão desde os sinais de contágio — o que já contribuiu para o aumento do risco-país ontem para 140 pontos — até uma piora no ambiente financeiro, com visões econômicas divergentes em Brasil e Argentina, caso o presidente Mauricio Macri perca a eleição.

"A possibilidade de volta do kirchnerismo na Argentina , principal parceiro comercial do Brasil no Mercosul, trouxe preocupações quanto aos rumos da economia. E o impasse nas negociações comerciais entre China e EUA continua sendo um pano de fundo para o mau humor dos investidores", afirmou Pedro Galdi, analista da Mirae Asset Wealth Management.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou ontem, em evento em São Paulo, que o mercado foi influenciado pela polarização política ao redor do mundo, evidenciada pelo resultado das primárias na Argentina, o que ainda pode trazer riscos para as economias emergentes com a casa mais bem arrumada, como o Brasil. Ele definiu o dia de ontem no mercado como “desafiador”, mas disse que “o Brasil está preparado" .

Para Silvio Campos Neto, economista e sócio da consultoria Tendências, o cenário externo é preocupante, mas os bancos centrais estão reagindo e, do ponto de vista doméstico, “o Brasil está mais forte para resistir”:

"No quarto trimestre, o país já estará crescendo 1,3% frente ao mesmo período do ano passado", previu o economista, que espera um resultado entre zero e 0,1% de abril a junho, mas vê sinais de recuperação no segundo semestre com a queda dos juros, a perspectiva de aprovação da reforma da Previdência no Senado e a liberação de recursos do FGTS.

Sinais de cautela

Outros fatores, porém, pesam no front externo: o presidente americano Donald Trump colocou em xeque, na última sexta-feira, um encontro em setembro de negociadores chineses e americanos, o que trouxe ainda mais incerteza quanto à possibilidade de um entendimento comercial entre as duas maiores economias do mundo. Na Europa, também não há sinal de alento. A falta de acordo para o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) e o racha na coalizão do governo italiano elevam a aversão a risco.

"Preocupa essa nova rodada de mau humor externo. Isso pode ser ruim para o Brasil no momento que o país precisa de recursos para investimento. A crise externa afasta o investidor estrangeiro, que vai procurar porto seguro nos títulos americanos", afirmou Silvia Matos, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Silvia estima um aumento de 0,3% do PIB no segundo trimestre e ressalta que houve melhoria na indústria de transformação e nos serviços prestados às famílias. No ano, ela vê possibilidade de crescimento de 1,1%.

Luka Barbosa, economista do Itaú, avalia que o segundo trimestre será positivo em 0,5%, mas teme pelo resultado do terceiro trimestre. Como os números da atividade em junho foram negativos, com queda generalizada, a economia começou fraca em julho. O banco prevê PIB de 0,8% no ano:

"Não dá para descartar um trimestre negativo. A desaceleração da economia global afeta os preços das commodities e, historicamente, isso freia investimentos. O mundo crescendo menos também prejudica nossas exportações, mesmo com a alta do dólar".

Leia também: Brasil cai 6 pontos no Indicador de Clima Econômico da América Latina

Ele lembra que, na virada de 2017 para 2018, o mundo crescia perto de 5%, agora está abaixo de 3%. Os indicadores industriais de Europa, China e Estados Unidos estão em queda, disse Barbosa. "Essa nova rodada de piora pode levar o PIB a crescer 0,6% em 2019", avalia.

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