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Quarta-feira, 25 de Março de 2020, 08h:55

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ENTREVISTA: brasileira que mora na Alemanha fala sobre o enfrentamento ao coronavírus

Segundo ela o Brasil está seguindo uma estratégia bem parecida com o gigante europeu.


Imagem de Capa
Paulo Pietro

Para saber se estamos caminhando da maneira correta no Brasil em comparação com outros países até mesmo mais afetados pelo vírus, o Jornal O Diário entrevistou uma brasileira que mora na Alemanha há mais de cinco anos e tem parentes no estado de Mato Grosso. 

 

O pais é o sexto com maior número de casos, porém, tem a menor letalidade entre os listados. Os números do coronavírus na Alemanha escondem um enigma: o país tem 19.000 casos confirmados e somente 68 mortos. Isso deixa uma taxa de letalidade de 0,36% muito inferior à da França (2%), Espanha (4%) e Itália (8%). 

 

A tatuadora Mariana de Pietro Monte, explicou que na cidade onde ela mora, a capital Berlim, “o primeiro caso foi confirmado no último dia 02 de março, já na primeira semana os casos aumentaram e no dia 12 o governo alemão começou a tomar medidas restritivas. Mandaram fechar os bares, museus, boates, pontos turísticos e nesta data já tinha bem pouca gente nas ruas. No sábado (14), já começamos a perceber que estavam faltando produtos nos mercados, principalmente relacionados à higiene e limpeza. Já na segunda-feira (16), as escolas, universidades, cursos, tudo que tinha reunião de pessoas, tiveram atividades interrompidas”.

 

Ela comentou que as restrições quanto ao trabalho também aconteceram de maneira muito rápida. “Logo no início no estúdio onde trabalho já estava restringindo o número de pessoas no estabelecimento, somente três clientes poderiam entrar de maneira simultânea, mas logo na entrada tinha os produtos para desinfeção de mãos e todos tinham que realizar esse processo para adentrar o estabelecimento. Sabíamos que dentro do estúdio estava tudo ok, pois para o nosso trabalho já utilizamos máscaras, luvas e temos os produtos para esterilização, mas ainda havia o impasse do transporte. Na Alemanha a maioria das pessoas utiliza o transporte público, era neste momento que estava o risco maior, então o dono do estabelecimento conversou conosco e decidimos que era melhor interromper as atividades, mesmo antes do comunicado oficial do governo”, isso aconteceu há uma semana. 

 

Assim como o estúdio onde a entrevistada trabalha, no lado ocidental de Berlim, todos os comércios que não fossem essenciais já estavam fechados desde a semana passada, mas assim como no Brasil, o anúncio oficial do governo saiu somente no início desta semana, pois do lado oriental da cidade ainda haviam muitos comércios funcionando. 

 

Mariana disse que nunca viu a cidade vazia como agora, por ser uma cidade turística Berlim sempre conta com muito movimento, mas com os pontos turísticos fechados, aeroportos fechados, voos cancelados, todo mundo preferiu adotar o isolamento. 

 

A Alemanha não realizou um Lock Down, como em outros países da Europa, ou seja, segundo o que disse nossa entrevistada, ninguém no país está sendo obrigado a permanecer em casa, não sair para trabalhar, até por que foi realizado estudos e a população por conta própria estava tomando as medidas preventivas, mas como no Brasil alguns estados tomaram medidas diferentes dos outros, em alguns existiram decretos proibitivos de circulação.

 

Ela ainda frisou que “nós sabemos que a Alemanha, diferente de outros países tem um número grande de casos, pois estão realizando muito mais exames do que outros países, não é somente as pessoas que estão chegando com os sintomas que são testados, como acontece no Brasil com os casos suspeitos.  Mesmo os casos de gripe ou resfriados são testados, com isso descobriram muito mais infectados. Esses pacientes considerados assintomáticos também estão recebendo o devido tratamento, também por esse motivo o número de mortes é menor”.

 

Desde que os primeiros casos da doença foram confirmados, mesmo tendo uma infraestrutura hospitalar privilegiada, os hospitais assim como muitos do Brasil, suspenderam as cirurgias eletivas, e já começaram a se preparar para atender os pacientes infectados nas UTI’s se necessário.  

 

Além disso, já fizeram um hospital provisório no Centro de eventos de Berlim, com mil leitos para atender os pacientes do Covid-19, caso exista a necessidade, mas até agora segundo ela, ainda existem muitas vagas nos hospitais e o espaço até o momento, se quer foi utilizado. 

 

Ela completou afirmando que de fora está vendo com muitos bons olhos as atitudes tomadas pela população Brasileira, que assim como a Alemanha está se antecipando a crise, tanto que podemos observar que as medidas tomadas lá, são parecidas com as que estamos executando neste momento. “O fato das pessoas entenderem que tem que ficar isolados, que tem que se prevenir, foi inclusive mais rápido do que eu imaginava, a Itália somente chegou a esse ponto pois demorou a enxergar o quão grave é a doença. Então eu acredito que estão no caminho certo aí (no Brasil), apesar de algumas atitudes discutíveis, as pessoas estão tendo bastante consciência do problema”, pontou. 

 

Mas os casos na Alemanha, assim como no Brasil ainda estão aumentando bastante, ela citou na entrevista um relato de uma amiga que é enfermeira, que ficou impressionada com o aumento repentino de enfermos, que pulou de três para doze em uma semana na unidade onde trabalha. Também falou sobre um paciente que tem 42 anos, que não está no grupo de risco, não tem comorbidades, nem sequer fuma, mas que evoluiu muito rápido as consequências da doença, inclusive ficando em estado grave, ela citou que esse paciente era assintomático, mas numa noite sentiu falta de ar, assim que chegou no hospital já teve que ser entubado e colocado em um respirador artificial devido ao vírus. Utilizando o caso de alerta, ela pediu que as pessoas aqui não baixem a guarda, pois a doença pode não atingir somente o grupo de risco em alguns casos.  

 

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