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Sexta-feira, 08 de Junho de 2018, 07h:00

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Programa do judiciário ajuda casais a enfrentar separação conjugal de forma saudável junto aos filhos

A oficina é oferecida gratuitamente e para este 9º encontro foram convidados 42 casais em estágio de separação


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Pérsio Souza

A  9ª Oficina de Pais e Filhos de Primavera do Leste, realizada pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), irá ocorrer neste sábado (9). O programa educacional e interdisciplinar para casais em fase de separação, junto aos filhos menores, tem como objetivo mostrar os efeitos do divórcio e explana sobre maneiras saudáveis de lidar com o término do casamento.

A oficina é oferecida gratuitamente e para este 9º encontro foram convidados 42 casais em estágio de separação. O programa ocorre em apenas uma sessão, com duração de quatro horas, onde pais e filhos são atendidos em salas separadas, e contém: apresentações de vídeos; palestrantes capacitados; período para questionamento e discussões.

O programa Oficina de Pais e Filhos foi emplantado em Primavera do Leste em 2016 e ocorre de três em três meses. Os casais que participam do programa, conforme a gestora do Cejusc, Marina Soares Borges, são indicações feitas pelo próprio Cejusc ou pelo Fórum, através da Vara da Infância.

De acordo com a gestora, o conteúdo apresentado no programa é a nível nacional e foi formatado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), utilizado em diversas comarcas do país. São apresentados conteúdos voltados aos pais e outro aos filhos, pois todas as partes sofrem com a separação.

“A criança e adolescente sentem que o pai ou a mãe não está mais presente, em alguns casos se culpam pela separação dos pais e todo esse conteúdo é trabalhado durante o encontro, para que os menores possam compreender todo o processo e assim ter uma relação melhor com os responsáveis”, explica Marina.

Apesar de o programa ser totalmente gratuito aos participantes, o Cejusc possui gastos com decoração, lembranças e alimentação. Para isto, conta com o apoio de parceiros do município como lojistas, empresas e cooperativas que estejam dispostas a ajudar. Vale ressaltar que há o apoio voluntário de 12 a 15 pessoas. Para as próximas edições, o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente de Primavera do Leste (CMDCA), em parceria com o Rotary Club de Primavera do Leste também apoiará financeiramente o projeto.

Marina salienta que o feedback que possuem após o programa, na maioria das vezes, é através da observação. “Observamos a forma em que estes casais em fase de separação saem, comentários durante o lanche, convívio, como que está o semblante das crianças e a postura dos adolescentes. Há casos em que até se emocionam”, cita. A partir destes resultados, Marina consegue perceber que é um projeto que dá certo e que traz resultados relevantes para os casais.

Nem todos que são convidados para participar do programa comparecem, o que para Marina é uma pena, já que perdem a oportunidade de ter conhecimento de um conteúdo amplo que tem o intuito de ajudar a família enfrentar uma situação delicada.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2015 em no município, foram contabilizados 346 casamentos contra 103 divórcios, sendo 48 em 1ª instância judicial e 55 através do tabelionato de notas.

Já em 2016 foram computados 370 casamentos e 70 divórcios, sendo 36 em 1ª instância judicial e 34 através do tabelionato de notas.

 

 

CARTILHA DO DIVÓRCIO PARA OS PAIS É ENTREGUE DURANTE ENCONTRO

Na Oficina de Pais e Filhos é entregue aos pais a “Cartilha do Divórcio”, editada pelo Ministério da Justiça e Conselho Nacional da Justiça. O conteúdo apresentado na cartilha, através de texto e algumas figuras, explanam sobre o papel de ser mãe e pai, como é todo o processo de separação e salienta que o divórcio não extingue a família, pois aqueles que possuem filho/os continuam conectados de alguma forma.

O objetivo geral da cartilha é fazer com que a separação do casal não afete de maneira direta a criança ou adolescente, para que não sejam gerados traumas nos filhos.

Para que não sejam prejudiciais aos filhos, várias dicas são dadas para que exista um relacionamento melhor entre o casal separado ou em processo de separação.

A gestora da Cejusc pontua que somente o fato dos pais utilizarem os filhos como mensageiros, pois não há comunicação entre as partes, já e é uma maneira de gerar um trauma na criança. Marina cita alguns exemplos prejudiciais, mas que muitas vezes os adultos fazem sem perceber: “falam mal um do outro ou de algum membro da família; obriga o filho a tomar partido ou escolher apenas um dos pais para viver; o fato de pegar a criança de maneira agressiva e levar embora; entre muitos outros fatores que prejudicam”, diz.

Quando a criança presencia e passa por estes conflitos dos pais, ela é afetada e conforme a cartilha, que se baseia em estudos, aponta que os traumas que podem aparecer são:

- dificuldade em estabelecer relações de confiança e tendência a apresentar comportamentos antissociais;

- dificuldade em lidar com situações que despertem emoções fortes como raiva em aceitar o ‘não’;

- problemas de sono e alimentação;

- tem dificuldade em receber ordens e orientações de figuras de autoridade;

- sentimento de culpa;

- doenças psicossomáticas, principalmente em casos de estresse, no qual podem ter dores de cabeça, barriga, entre outras.

Para que este tipo de situação não aconteça, a cartilha sugere para que os pais foquem primeiro nas próprias necessidades emocionais, manter o foco, refletir sobre o passado e se necessário, buscar ajuda profissional, caso seja necessário.

Já para ajudar o filho a passar por todo o processo, a cartilha resume tudo em apenas quatro palavras: continuidade, proteção, confirmação e diálogo. Seguindo estes passos, haverá uma relação melhor entre as partes e a família poderá viver sem conflitos, mesmo ainda estando separados.

 

 

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