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Sexta-feira, 24 de Maio de 2019, 18h:10

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Primavera do Leste pode ter epidemia de casos de dengue

Única maneira de se evitar, é limpando os quintais


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Jaqueline Hatamoto

Com 317 casos notificados, 186 confirmados e três casos graves, incluindo uma morte, Primavera do Leste, caminha para desenvolver uma epidemia de dengue. A informação foi repassa pela bióloga que compõe a Secretaria de Saúde Estadual – escritório regional Rondonópolis, Márcia Veloso em entrevista concedida na tarde de quinta-feira (23).

“A situação de Primavera preocupa por conta do óbito que houve e pela evolução dos casos dessas crianças. São três crianças que contrariam a dengue e evoluíram para gravidade, uma morreu, outra foi para UTI e a outra conseguiu controlar mesmo ela evoluindo para um caso grave. Há um risco eminente de uma epidemia, caso a situação não seja revertida”, frisou Márcia.

A situação de Primavera do Leste não é diferente de outras cidades do estado, que também tem muitos casos da doença já confirmados. Segundo a bióloga, a única alternativa para que a cidade fique livre de uma epidemia está na mão da população. Isso mesmo! Basta que cada um mantenha limpo seu quintal.

De acordo com um levantamento feito pela Vigilância Ambiental, 63% dos focos do mosquito estão alojados em lixo doméstico, ou seja, em material que pode armazenar água e que não tiveram a destinação correta. “Para nossa surpresa, descobrimos que o maior problema hoje instalado no município é em relação ao lixo doméstico. As pessoas não estão tendo o hábito de descartar o lixo de forma adequada. Quando entra no quintal, se encontra muito lixo, garrafa pets, pote de margarina e até mesmo tampa de garrafa. E é nesse local que a fêmea vai botar os ovos”, explicou a bióloga.

Antigamente havia a informação de que a fêmea do mosquito  Aedes Aegypti, só botava os ovos em água limpa, porém, conforme a bióloga da Secretaria Estadual de Saúde, qualquer lâmina d’água serve como criadouro. “Antigamente se falava apenas em água limpa, mas hoje esse vetor evoluiu e está escolhendo qualquer lugar que tenha um acumulo de água, que não precisa ser em grande quantidade”, destacou. Um exemplo disso é que há focos de mosquito da dengue encontrados até dentro de bueiros.

Para eliminar de vez os possíveis criadouros do mosquito da dengue, precisa muito mais que despejar a água parada ou dissipar a água empossada, é necessário eliminar de vez o criadouro, já que um ovo, antes de eclodir, pode ficar até 450 dias aguardando água novamente. “Os ovos são botados na parede dos criadouros e não na água, sendo assim o simples fato de despejar a água não elimina os ovos onde estão os mosquitos. Esses ovos conseguem permanecer na parede por até 450 dias, então se esse criadouro receber água novamente, eles continuam a se desenvolver e esse mosquito vai nascer”, explicou Márcia, que ainda destacou que o controle da doença se torna difícil, pois uma única fêmea do mosquito pode, durante trinta dias, botar até 1.500 ovos.

Diante de tantos ovos e inúmeras possibilidades de se contrair as doenças propagadas pelo vetor, a única saída é promover a limpeza e vigilância constante dos quintais. “Eliminar o criadouro é única saída. É preciso colocar no lixo, para que seja levado para local adequado e não deixar o lixo no quintal. Independente se recebeu ou não a visita da agente, é obrigação de cada morador cuidar da sua casa. Se cada morador cuidar do seu quintal e da sua casa, com certeza controla a dengue dentro do município”.

 

AÇÃO SALA DE CONTROLE É RETOMADA

Com objetivo de traçar ações que levem ao efetivo controle de casos de dengue na cidade, foi retomada nesta quarta-feira (29), a Sala de Controle.  Composta por membros dos poders Legislativo e Executivo, bem como representantes das secretarias de Saúde, Educação, Obras e Meio Ambiente e também Polícia Militar, sociedade civil organizada e imprensa, a Sala foi criada no ano de 2016.

Além de organizar o trabalho de todos os agentes de endemias, no combate aos focos de proliferação do mosquito, os participantes tem como missão fortalecer o controle do combate do vetor, no caso o aedes aegypti, propondo ações a serem desenvolvidas em toda cidade. “Não basta só dar ideias, é preciso ajudar a executar e envolver mais pessoas nesta ação, afim de atingir o maior número possível de pessoas, traçando sempre metas a serem cumpridas”, ressaltou a bióloga que compõe a Secretaria de Saúde Estadual – escritório regional Rondonópolis, Márcia Veloso.

Entre as ações a serem desenvolvidas já nos próximos dias, estão: Visita a imóveis no bairro Primavera III, com a parceria dos desbravadores;

Levantamento da legislação em relação a resíduos sólidos;

Orientação da população também por parte das agentes de saúde;

Coletivas de imprensa;

Mobilização de grupos para captação de mão obra, entre outras. Os resultados devem ser apresentados já em reunião que será realizada na quarta-feira (29).

 

CONTROLE QUÍMICO DEVE SER INICIADO NA CIDADE

No dia 08 de maio foi publicado o Decreto de Estado de Emergência na saúde pública de Primavera do Leste em razão do aumento de 428% dos casos de dengue relatados no mês de março.

Com o decreto, a Prefeitura tem autorização para fazer contratação temporária de pessoal, bem como o trabalho de jornada extraordinária dos servidores. O documento ainda permite a dispensa de licitação em caráter emergencial para contratar ou adquirir bens e serviços para atender o objetivo da ação. Diante disso, o poder público contratou a empresa MS Tercerização, que fornecerá mão de obra para que seja feito o chamado controle químico da dengue, ou seja, aplicação de veneno.

Neste caso a ação dos agentes terceirizados ocorrerá apenas em bairros onde já houveram notificações de casos de dengue e quando solicitados. “Depois do decreto emergencial, foi possível fazer a contratação dessa empresa que vai oferecer a mão de obra para gente. Os insumos e bombas são do município, utilizaremos apenas a mão de obra. Essas pessoas vão agir apenas em locais onde houveram notificações. Primeiro será feito o bloqueio mecânico, que é quando o agente e a população destroem os focos físicos e depois entra com borrifação, no caso notificado em nove quarteirões ao redor”, explicou Barbara Pelissari, coordenadora Vigilância Ambiental.

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