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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017, 07h:00

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Crítica: o quinto dia do Velha Joana

Os espectadores acompanharam as apresentações a partir dos espaços em que os atores ensaiam e experimentam seus processos.


Imagem de Capa
Dheysiel Barbosa/ Thereza Nunes

O festival Velha Joana segue vigoroso, e, no quinto dia de programação, o ritmo foi intenso. Os espectadores acompanharam as apresentações a partir dos espaços em que os atores ensaiam e experimentam seus processos. Seja este um espaço aberto da cidade, um galpão ou até uma sala de ensaios. É empolgante assistir os alunos e alunas de teatro se divertindo em cena, algo fundamental para a construção do SER ATOR, principalmente se este inicia o processo desde criança, como no caso dos grupos que vimos neste dia.

O primeiro espetáculo foi “O Príncipe e a Bruxa”, com adaptação e direção de Darci Junior, apresentado no espaço Prima Jovem, onde os 11 atores cotidianamente se encontram para trocas, experimentos e ensaios. Uma trama divertida que nos fez sorrir do início ao fim com as ações de texto e cena, como os desafios que um príncipe tem que passar para resgatar a amada das mãos de uma bruxa. O tal príncipe não era corajoso, por isso não se deu bem nos desafios, o que fez com que um outro personagem ganhasse força na trama. Desajeitado e risonho, o Bobo da Corte é um bufão que consegue vencer todos os desafios, desfazendo a máscara de herói, do príncipe medroso. O Bobo da Corte tinha um segredo, era apaixonado pela princesa, diante de todas as surpresas do espetáculo, o final nos deixa boquiabertos, o príncipe já não quer mais a princesa, mas se apaixona pela Bruxa, um amor improvável que aconteceu, dando a ver que as bruxas também possuem a capacidade de amar. O Bobo da Corte também saiu bem na história, se declara à princesa, que o aceita como é, um Bobo da Corte, mas que tem coração e que também ama. As risadas se estenderam longamente.

Já o segundo espetáculo aconteceu em um terreno aos fundos da quadra de uma escola, dialogou conosco sobre O LER e o BRINCAR, a importância dessas duas ações. Com Texto de Wanderson Lana e direção de Edilene Rodriguez, o espetáculo “O Lobo que era Bobo”, tem em cena 10 atores, que pesquisam os contos e a importância deles para um grupo de amigos, que estão entediados em um tempo livre. Há uma mistura de histórias, que nos faz ficar concentrados na trama. Esse grupo de amigos, que decidem resolver o tédio, brincando de personagens de contos infantis. Um lobo, que por conta da falta de imaginação dos leitores, já não assusta ninguém e vive triste por conta disso. Esse grupo de amigos em um ação solidária, decidem ajudá-lo e mostram a ele que ainda tem pessoas que têm hábitos de leitura, e essas pessoas precisam conhecer os contos. Após isso, o lobo saiu feliz, voltando à ação inicial, de assustar. Ao final, em um coro, os atores dizem a frase: “Quando você deixa de ler, o mundo deixa de existir”. Refletindo nisso, penso: o que seríamos e como seríamos sem a leitura?

 

O terceiro espetáculo trouxe uma trama densa, com temática conflituosa, ainda mais quando contextualizado em um cenário de tempos escuros como estes. Quando entramos no espaço onde seria a apresentação, ao visualizar os atores sentados, deitados, presos a correntes e alguns pendurados, como se estivéssemos em um museu de corpos massacrados, a sensação de incômodo instalou-se em meu peito, um angustiante caminhar começou, sendo guiado por um ser mascarado, este logo se revela ser o opressor. Os atores parecem viver cada cena, não apenas representar, uma vez que os olhos eram tristes, o corpo se portava de forma pesada, carregada. A medida em que o processo vai se desenrolando, as cenas vão ficando mais tensas e chocantes, e o incômodo aumenta. O homem mascarado bate um cajado no chão, e a cada batida, surge uma nova cena de dor e gritos que invadiam aquele lugar como faca que nos cortava. O espaço escuro empoeirado e cheios de objetos que remetem aos mais variados tipos de trabalho, colabora e dialoga para o processo proposto. A trama denuncia variadas formas de violência contra crianças e adolescentes, além do trabalho escravo infantil. A plateia sai do galpão cheia de incômodos, e a mais fixa em nossa memória é a imagem de crianças encenando realidades doloridas de outras crianças. Findo.

 

Proposição artística: Azul da Cor do Ceú

O palco é um território. O território da encenação. E este encenar pode trazer no bojo o inimaginável, a fantasia. As maiores peripécias ganham vida. No entanto, o real (leia-se, fatos do existir) rubrica às margens para articular as sensações e pensamentos que farão com que o espectador fique um bom tempo a meditar sobre a obra cênica que produziu um efeito sublime nos sentidos. O espetáculo infantil “Azul da Cor do Céu”, do Território de Brincar, possui esta força. Seja pela beleza do texto, pelas atuações seguras das crianças ou pelo modo dinâmico como cenários e espaço dialogam.

A estória da amizade entre a menina Mariana e o pássaro Cisco principia uma aventura de conhecimento e aceitação dos ciclos da vida. Para isso é preciso que Cisco, que sempre admirou o azul do céu, a liberdade do bater das asas, seja alvejado por Andinho, amigo de Mariana. O sumiço do pássaro leva a uma busca frenética pelo paradeiro.

A premissa conduz Mariana e Andinho aos confins da terra. E a encontrar personagens como o Sol e a Lua – dois deuses separados pela impossibilidade do amor – a madrugada, o vento etc. Essa jornada tem raízes na mitologia grega, nas narrativas de desafio (por uma causa ou um desejo) e de autoconhecimento. Ulisses, Orfeu, Perseu são alguns dos heróis que passaram por provações, percorrendo lugares que, de um modo ou outro, apresentavam perigo ou possibilidade de mudança. Em “Azul da Cor do Céu”, tal papel é destinado à Mariana, que concentra os atributos para viver uma experiência épica e fantástica. Esse aprendizado traça as linhas divisórias que separam eventos que, apesar da dor e da incompreensão, fazem parte da vida. No caso de “Azul da Cor do Céu”, a morte e a verdade. Ambas como estrato de uma lição a ser assimilada pelos parceiros de viagem.

Para Andinho, a advertência é que a verdade deve estar acima do temor das consequências,  superando a expectativa pelo perdão. Já Mariana, precisa enfrentar a realidade de que tudo tem um tempo, sendo o existir uma série de fenômenos que constituem uma trajetória, forjam  relações, traduzem afinidades, mas com a efemeridade sempre à espreita, já que, independentemente da vontade, os imprevistos surgem para abalar nossas certezas. E a morte é um desses momentos. Uma parte indissociável e inevitável da vida.

Um dos destaques da peça, que vale a pena sublinhar pelos meses de ensaio, é o desdobrar-se do elenco em vários personagens, o que o leva a interagir de modo orgânico e profundo com o espaço, fazendo e refazendo os cenários e os figurinos conforme as novas personagens que entravam em cena. Em tese, demonstra o entendimento de que – ainda que o improviso e a falha façam parte da realização artística – a observação das marcações e o jogo de troca entre os intérpretes facilitam o caminhar do processo. E, na prática, torna o movimento de entrar e sair de cena visualmente fascinante.

O espetáculo infantil, escrito por Wanderson Lana e com direção de Edilene Rodriguez, faz do passamento de um pássaro – que mergulha em um azul tão intenso – uma metáfora cativante (e de riqueza emocional) para a compreensão da morte de todos nós. Como Peter Brook assevera, “o teatro é, antes de mais, a vida”. Deste modo, “Azul da Cor do Céu” afirma o teatro como uma dimensão estratégica para a vivência de nossas experiências.

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