TRATAMENTO DE ESGOTO /

Segunda-feira, 29 de Maio de 2017, 07h:48

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A Estação de Tratamento de Esgoto recebe em média de 7 milhões de litros de esgoto por dia

O volume produzido representa 72% da rede em Primavera do Leste


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Pérsio Souza

Os 72% da população primaverense que possui rede de coleta e tratamento de esgoto, produzem em média 7 milhões de litros de esgoto por dia.

Para realizar o tratamento dos 7 milhões de litros de esgoto, a concessionária Águas de Primavera possui uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), que é responsável por tratar a água poluída e devolvê-la ao meio ambiente em forma de água tratada, formando um ciclo de reaproveitamento sustentável.

O esgoto captado por tanques é submetido a uma série de etapas que incluem floculação, separação de impurezas, filtragens, cloração até que a água poluída esteja apta a ser devolvida, sem ser uma ameaça à saúde e ao meio ambiente.

O engenheiro sanitarista da concessionária, Danilo Almeida, explica que Primavera possui cinco lagoas. São elas:

anaeróbica – faz o processo com bactérias que não utilizam oxigênio e a matéria em forma de lodo é estabilizada por meio de processo químico, incluindo a eliminação e gases nocivos;

facultativa – realiza o tratamento com bactérias que utilizam oxigênio e as que não utilizam. Este tipo de tratamento reduz grande parte do lodo e trabalha nas camadas superiores e no fundo da lagoa;

maturação – são três lagoas que realizam o tratamento final para poder devolver de maneira adequada ao corpo receptor. Neste processo, é feita a remoção de bactérias e vírus de forma mais eficiente devido à incidência da luz solar, já que a radiação ultravioleta atua como um processo de desinfecção.

O engenheiro salienta que os resíduos sólidos quando descartados na rede de esgoto, ocasionam o entupimento da tubulação e o transtorno não é apenas à concessionária, mas também à população. “São encontradas fraldas, tubo de pasta de dente, garrafa pet, óleo, plásticos, panos, resíduos de construção e até mesmo madeiras”, afirma. Danilo que ainda acrescenta que a coisa mais absurda encontrada, foi um cachorro de grande porte morto.

83,3% dos brasileiros são atendidos com abastecimento de água tratada. Porém, são mais de 35 milhões de brasileiros sem o acesso a este serviço básico.

A cada 100 litros de água coletados e tratados, em média, apenas 63 litros são consumidos. Ou seja 37% da água no Brasil é perdida, seja com vazamentos, roubos e ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo de água, resultando no prejuízo de R$ 8 bilhões.

A soma do volume de água perdida por ano nos sistemas de distribuição das cidades daria para encher 6 (seis) sistemas Cantareira.

A média de consumo per capita de água no Brasil em três anos é de 165,3 litros por habitante ao dia.

ÁGUA DA CHUVA

Uma parte da população primaverense direciona as águas de chuvas nas redes de esgoto, o que ocasiona transbordamento de esgoto e elevatórias. Essas ligações são clandestinas e o responsável pode ser autuado.

O engenheiro sanitarista ressalta que parte da população primaverense realiza ligações clandestinas para que as águas das chuvas sejam direcionadas para a rede de esgoto. “A calha no telhado coleta a chuva, direciona para o quintal e a pessoa faz uma conexão na rede de esgoto. Isso aumenta o fluxo de água dentro da tubulação, o que ocasiona o transbordamento de esgoto e elevatórias. Quando isto ocorre, normalmente, 90% são ligações clandestinas de drenagem dentro do esgotamento sanitário, que é uma rede que não foi direcionada para isto”, esclarece.

Ele ainda pontua que o saneamento básico é composto por quatro vertentes que são, abastecimento de água, rede e coleta de esgoto, drenagem urbana e resíduos sólidos. A concessionária é responsável apenas pelo abastecimento e a rede e coleta de esgoto.

Este tipo de ligação é considerado clandestino e a pessoa pode ser autuado por isto. Para descobrir quem utiliza este tipo de rede, a concessionária possui um equipamento chamado Fumacê, que conectam a fumaça não tóxica dentro da rede de esgoto e sopram. “A fumaça irá retornar onde temos a desconfiança que haja a ligação clandestina, e irá sair dentro das residências. Resíduos sólidos e drenagem fluvial não prejudica somente a concessionária, mas também a população primaverense. Saneamento é saúde”, relata Danilo.

Em Primavera, 16.344 pessoas não possuem rede de esgoto nas casas e fazem o uso de fossas

A utilização incorreta do sistema individual da fossa e a falta de limpeza, fazem com que ocorra entupimentos e mau cheiro, além das doenças.

Fossas mal cuidadas também permitem a reprodução de ratos, baratas, moscas e bactérias que podem ser prejudiciais a saúde da população local.

Priscila Neves, do Instituto Trata Brasil, explica que a fossa séptica é recomendada para locais onde a rede ainda não chegou, mas sempre é necessário ter um acompanhamento técnico de sua instalação e operação, o que não acontece em boa parte do Brasil. “Desta forma, muitas fossas são feitas de maneira errada, ocasionando contaminação no solo e sendo fontes de proliferação de doenças. Geralmente as fossas são feitas próximas à poços artesianos, sem respeitar as distâncias necessárias que para não haja a contaminação do lençol freático, entretanto muitas casas não respeitam estas normas. No caso de Primavera do Leste não podemos afirmar como são feitas as fossas, mas é necessário apontar os possíveis problemas que uma fossa mal feita pode trazer.”, explica.

Ainda segundo o Instituto Trata Brasil, ocorrem no país cerca de 34 mil internações por doenças infecciosas associadas à falta de saneamento, com mais de duas mil mortes por ano.

Apenas uma fossa pode causar impactos ambientais, como a contaminação do solo e das águas do lençol freático.

 

 

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