EM CARÁTER DE URGÊNCIA /

Quarta-feira, 06 de Setembro de 2017, 07h:00

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Município recebe R$ 100 mil de emenda parlamentar para o Prima Fest

Para o recebimento do recurso a Câmara Municipal aprovou, em caráter de urgência, abertura de crédito adicional que não estava prevista no PPA


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Ítalo Berto

Na última sessão da Câmara dos Vereadores o parlamento aprovou, em caráter de urgência especial, a abertura de crédito adicional para o recebimento de uma emenda de R$ 100 mil enviada pelo deputado estadual Max Joel Russi, para a realização da festa popular Prima Fest. Conforme dito no plenário, na segunda-feira (4), sem a aprovação dessa lei o rodeio poderia não acontecer. Dois vereadores não concordaram com a aprovação do projeto e o assunto levantou  debates com diversas vertentes entre os parlamentares.

O presidente da Câmara explicou que na elaboração do Plano Plurianual (PPA) para 2017, aprovado em dezembro de 2016, não foi previsto o recebimento de emenda e por isso, agora, teve a necessidade de fazer o projeto para abertura de crédito adicional. O projeto foi enviado pelo executivo na última sexta-feira (1).

Um dos vereadores que não concorda com essa emenda e votou contra a abertura de crédito especial para emenda impositiva foi Manoel Despachante, que desde a votação da Comissão de Justiça e Redação se posicionou contra a matéria. “Sou contra a realização de festas com o dinheiro público, independentemente de ser com pouco ou muito dinheiro, ou de ter sido realizada com emenda que venha de parlamentar”, justificou, afirmando que é contra a política do “pão e circo”.

“É chegada a hora, nesse país, de nós olharmos no olho do empreendedor e saber que ele está pagando as contas, inclusive as festas. A gente reclama tanto de imposto, e aproveitamos do próprio imposto para fazer festas. Nós estamos na contramão do que esse país precisa, por isso voto contra o projeto”, afirmou Manoel.

Outros parlamentares fizeram críticas ao executivo municipal, que em três dias mobilizou a Câmara dos Vereadores para aprovação desse projeto. Embora tenha sido favorável a matéria, o vice-presidente da Câmara, Miley, justificou que a Casa fez uma força tarefa para apreciar o projeto, em caráter de urgência especial, “pois no andamento que está a festa, se nós votarmos contrários, a prefeitura não vai conseguir pagar. Esta Casa não vai se isentar e levar culpa, para dizerem que fizemos de tudo para atrapalhar o evento”.

Por outro lado, Miley revelou não concordar com a posição do Executivo. “Eu queria que esse R$ 100 mil viesse para a gente terminar o nosso posto no Buritis, no Padre Onesto Costa, ou para arrumar algumas avenidas”.

O  vereador Carlos Instrutor concordou com Miley e relatou em Plenário: “queria esta agilidade para uma emenda que está parada na Secretaria de Saúde desde fevereiro, no valor de R$ 30 mil, para comprar quatro aparelhos de eletrocardiogramas. Vai ter meu voto a favor. O povo gosta de festa e, como já foi lançada, vou votar para que o povo tenha festa. Mas espero que ninguém, durante essa festa, venha precisar de um eletrocardiograma. Eu fico indignado com uma coisa dessa”.

Manoel Despachante complementou dizendo que “essa pressa não consigo entender, para fazer uma festa. Estamos nas vésperas de uma campanha eleitoral e isso, para mim, é uma jogada puramente eleitoreira”.

Mesmo votando à favor, não deixaram de expressar indignação quanto a agilidade do processo para receber a emenda de R$ 100 mil, também, os vereadores Quinha, Luiz Costa e Josafá Barbosa.

Já a vereadora Carmem defendeu o executivo esclarecendo que: “existem emendas para várias áreas. O que é para a saúde, por exemplo, não dá para fazer outros investimentos. Se o deputado conseguiu de última hora um valor de R$ 100 mil, porque não receber esse valor? Esta festa foi planejada desde o começo do ano. O Getúlio falou que ia voltar com a festa popular. Não foi de uns dias para cá, ele estava se programando”, ponderou a legisladora.

Na discussão foi levantada a venda de camarotes, dinheiro que daria para arcar com as despesas da festa sem a necessidade de gastar com emenda parlamentar. Sobre isso Carmem Betti opinou que se não precisar dos R$ 100 mil, esse dinheiro ficará no caixa da Secretaria de Cultura, e da mesma forma não poderá ser aplicado em investimentos para outras áreas, como por exemplo, a saúde.

Manoel Despachante rebateu expondo que “os 100 mil não vão sobrar nos caixas da cultura de Primavera do Leste porque essa festa não é da prefeitura, ela é de uma empresa particular. Esses R$ 100 mil, com a venda dos camarotes e patrocínios, vão para o bolso de uma empresa. Estão levando R$ 100 mil de Primavera do Leste. Não vai ficar para a cultura, vai para o bolso de alguém”, afirmou o parlamentar.

Por fim, somente Manoel Despachante e Luis Costa se manifestaram contra o projeto. A emenda, agora, tem a legalidade para ser recebida pelo município e a festa começa hoje, no recinto do parque de exposições do Sindicato Rural, com portões abertos a partir das 19h. O ingresso para  entrada será trocado por um quilo de alimento nos quatro dias de evento. Crianças e adolescentes só poderão entrar na presença de pais ou responsáveis.

 

 

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