COMBUSTÍVEL EM QUEDA? /

Terça-feira, 13 de Junho de 2017, 19h:12

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Etanol é encontrado por R$ 1,97 na Capital; Em Primavera a média se mantém a R$ 2,52

O diretor executivo do Sindalcool/MT, acredita que o valor repassado ao consumidor final, em Primavera,é passível de apuração por parte de órgãos competentes


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Ítalo Berto

Enquanto os consumidores da Grande Cuiabá aproveitam a baixa no valor do etanol, que desde o mês passado vem caindo gradativamente e chegou às bombas de abastecimento a R$ 1,97, na manhã de ontem (13), Primavera do Leste se mantém com os preços mais elevados. Conforme levantamento realizado pelo O Diário, a média de preço deste combustível na cidade é de R$ 2,52. O preço mais em conta foi encontrado por R$ 2,47, enquanto o mais alto foi de R$ 2,62, até o período da manhã desta terça-feira.

A queda tem explicação. O clima chuvoso desse ano contribuiu para a boa qualidade da cana, que contém maior teor de açúcar. As 10 usinas de moagem do Estado estão operando de forma plena. E assim os revendedores de Várzea Grande e Cuiabá apresentam condições para baixar o valor do combustível.

Desde a última semana, antes dos baixos custos serem anunciados pelos postos, a média de preço de etanol, na capital, era de R$ 2,39, valor abaixo do atual preço cobrado pelos postos de Primavera do Leste. Com o recuo, o consumidor de lá paga 18% a menos no etanol, a maior queda dos últimos dois anos.

O diretor executivo do Sindicato da Indústria Sucroalcooleira de Mato Grosso (Sindalcool/MT), Jorge dos Santos acredita que o valor repassado ao consumidor final, em Primavera do Leste, é passível de apuração por parte de órgãos competentes, como o Procon e Ministério Público (MP), levando em conta “o custo da distribuidora para chegar até ai e depois a margem de lucro do posto. Isso tudo deve ser apurado. Tem que saber, também, qual o custo envolvido das outras operações, como a energia elétrica gasta pelo posto, o valor da mão de obra da cidade e todos fatores de gastos a serem considerados”, aponta Santos, reforçando que é importante a análise para que a população saiba se está pagando o preço justo, já que é um bem de consumo de alta necessidade.

O diretor traz como exemplo uma ação do Ministério Público na capital. “Aqui as refinarias vendiam o produto por R$ 0,46 e os postos estavam repassando para os clientes por R$ 1,46. A pressão da imprensa levou o MP a apurar os fatos, e há alguns anos o Ministério Público de Cuiabá entrou com uma ação, que está sob liminar até hoje, exigindo que os postos tivessem uma margem máxima de 20% sob o preço de compra”, relembrou o diretor.

 ETANOL NA REFINARIAS DE MT CUSTA  R$ 1,67

Semanalmente o site do Sindalcool/MT é atualizado com os valores do etanol. A pesquisa é divulgada pela Escola Luiz de Queiróz, instituto de fé pública que realiza a análise em todo o Brasil.

Conforme a última atualização, publicada na sexta-feira (9), o preço do etanol nas refinarias de Mato Grosso é de R$ 1,67 por litro.

Supostamente, se os postos de Primavera do Leste seguissem a liminar imposta pelo Ministério Público de Cuiabá, e cobrassem dos consumidores 20% de lucro sob o preço de compra, o valor nas bombas seria de R$ 2,00, sem contar o custo da distribuidora, que segundo a opinião do diretor executivo da Sindalcool, gira em torno de R$ 0,5 a R$ 0,10, o que subiria o valor para R$ 2,10.

“O giro é bom. A cidade tem um movimento econômico bastante pungente. Não acredito que seja estoque parado o motivo para o valor atual cobrado em Primavera do Leste”, observa Jorge.

O QUE DIZ O SINDPETRÓLEO

O diretor executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo/MT), Nelson Soares Júnior, frisa que o Sindicato não acompanha a queda mensal de preços e que as revendas são livres para definir os preços, de acordo com as margens, custos e necessidade de cada posto. Mesmo com a ressalva, Soares confirma que o mercado do etanol, no Estado, retomou aos níveis de outubro de 2015 e que isso deve estar, de alguma forma, “favorecendo a queda de preços nos postos”.

Sobre a diferença de preço entre Primavera do Leste e a capital, que estão a 240 quilômetros de distância, o sindicato se manifestou ao O Diário dizendo que a cidade, por não ter tantos postos de combustíveis quanto em Cuiabá e Várzea Grande, não possui estratégias para alavancarem as vendas, como competir por meio da redução de preços.

Etanol de Mato Grosso está sendo considerado o mais barato do Brasil

Além da redução localizada, a média de preços no Estado, aferida em R$ 2,28 pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), deixa o valor como o mais baixo do país, à frente da média do Estado de São Paulo, que na semana, entre 4 e 10 de junho, fechou em R$ 2,29.

Em junho do ano passado o combustível atingia o menor valor até aquele momento ao bater R$ 2,48 na média estadual. Nessa comparação anual, o recuo de preços na capital é de R$ 0,51 ou quase 21%.

“Há muito tempo não víamos todos os atores envolvidos nessa cadeia trabalhando em sintonia com o momento. Na usina voltamos aos preços do litro ao nível de 2015”, pontuou Jorge dos Santos.

 “Hoje temos a melhor cana do país. Precisamos de menos toneladas para produzir a mesma quantidade de etanol, em relação às safras passadas”, acrescenta Santos.

Jorge dos Santos avalia que dos 16,30 milhões de toneladas estimados para serem moídos no Estado até próximo do mês de novembro, cerca de 2 milhões já tenham sido processados. “A situação atual do país fez com que todos os agentes dessa cadeia buscassem giro, receitas, e isso impactou positivamente, já que chegou ao consumidor. E há o próprio período de moagem plena que adiciona mais produto no mercado e naturalmente favorece a queda de preços, bem dentro da lei de oferta e procura”.

 

 

 

 

 

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