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Quarta-feira, 01 de Fevereiro de 2017, 07h:15

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R$ 35 para transitar em 220 quilômetros será a nova realidade do primaverense na próxima semana

Mas de quem é a culpa? De todos nós


Morro da Mesa
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R$ 35 para transitar em 220 quilômetros será a nova realidade do primaverense na próxima semana

Para ir e voltar de Rondonópolis, R$ 35 será o pedágio, se for de carro de passeio. Caminhão pode chegar a  R$ 73 em cada praça de pedágio. Ida e volta: R$292,00.

O que a população precisa entender que a empresa não é a única culpada. Alguém deve lembrar-se das condições dessa rodovia antes da concessão em 2012. Deve lembrar também que foram realizadas audiências públicas antes da implantação das praças. Fato que todos sabem que sempre conta com a presença de poucas pessoas em tais audiências. Brasileiro prefere reclamar depois.

O fato é que para uma empresa ser concessionária de um trecho de estrada ela tem um contrato de concessão com várias cláusulas, inclusive a que define o parâmetro para aumento das taxas pagas pelo usuário da via. Neste documento constam a estrutura a ser ofertada.

Quem vive em Primavera do Leste há mais de cinco anos deve lembrar como era a rodovia antes da concessão.

Na segunda-feira (30), após a publicação da notícia sobre o reajuste de 6,7% no valor da tarifa no Cliquef5, vários leitores, nos canais de interatividade reclamaram dos valores e acharam o aumento abusivo. Realmente. Os leitores têm razão. É um abuso. Pagar R$ 35 de pedágio para ir e volta a Rondonópolis é uma afronta. E tem ainda o valor do combustível, também abusivo, cobrado em Primavera do Leste. População tão calejada por impostos ter que pagar para andar em uma rodovia estadual.

E tem mais: o contribuinte paga duas vezes pelo mesmo serviço: uma para o Estado em forma de imposto e outra para a concessionária.

Tem razão a população de indignar-se. Mas de quem é a culpa? A resposta o leitor inteligente deve saber: de todos nós!

Permitimos a cobrança nos omitindo de participar quando era o momento de fazê-lo. Porque entregamos o poder de decisão a governantes inertes que adoram foto, mas fazem pouco. A empresa é apenas mais uma de nós. Ninguém tem empresa para não obter lucro, não fazer investimentos ou para caridade. Mas agora já está instalada. O contrato é de 30 anos.

O que podemos fazer? Ora, a única coisa a ser feita quando não concordamos com uma decisão. Bater na porta dos governantes, nos unirmos e fazer pressão. No Brasil nada funciona sem pressão. Propor uma saída ideal e razoável para todos a exemplo do que acontece em alguns Estados onde a população de determinada cidade conseguiu ter uma taxa menor para transitar. Funciona assim: você tem o veículo emplacado em Primavera do Leste só paga na praça de Rondonópolis, seu amigo tem o carro lá só paga aqui. É uma hipótese. A solução deve ser boa para ambos os lados. A empresa cede em um ponto e o governo isenta de alguma taxa para balançar os recursos. Reclamar em rede social não adianta, precisamos urgentemente aprender a exigir dos eleitos e também como sociedade, participar. Nada acontece sem movimentar as pessoas.

E aí prefeitos e vereadores de Primavera do Leste e Rondonópolis vão deixar isso assim? Sem bater em algumas portas em Cuiabá e nem conversar com a empresa? Vocês foram eleitos para isso. E se algum deputado estiver lendo sinta-se convocado a trabalhar pelos interesses do povo, afinal são pagos para isto. Estamos reclamando do valor do pedágio e queremos resposta!

EM TEMPO:

Conforme ata publicada no Diário Oficial as manifestações em relação ao valor devem ocorrer em até cinco dias. “O presidente da Sessão informa que da decisão proferida cabem recurso de embargos de declaração no prazo de 05 (cinco) dias e Recurso Ordinário no prazo de 10 dias, todos a partir da publicação e sem efeito suspensivo”.

 

BRASIL, O PAÍS DOS PEDÁGIOS

País ocupa a liderança no ranking dos países que cobram para o motorista transitar por vias asfaltadas

 

Você sabia que o Brasil é o país com maior número de rodovias com pedágio no mundo? Perde apenas para a Alemanha. 

A Alemanha tem 12.788 quilômetros de estradas sob concessão. O Brasil terá, quando a nova rodada de licitações for concluída, 22.973 quilômetros de rodovias nas mãos da iniciativa privada. Nos EUA, que têm a maior malha rodoviária do mundo, são 8.430 quilômetros de estradas com pedágios.

A condição de país com o maior número de pedágios em todo o mundo não condiz com a situação geral da sua malha rodoviária, que tem apenas 12% de pavimentação. Nos EUA, 67% das rodovias são asfaltadas.

Mesmo entre os trechos asfaltados a situação não é boa. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) avaliou 92.747 quilômetros de rodovias asfaltadas e verificou que mais da metade estava em condição regular, ruim ou péssima.

Uma pesquisa realizada da Confederação Nacional de Transportes – CNT mostrou que a maior parte das vias está em condições ruins ou péssimas: 87% das nossas estradas são de pista simples; 40% das estradas não têm acostamento e 50% não têm nem placa de aviso antes de curvas perigosas. Do total de estradas pesquisadas, 62% são consideradas regulares, ruins ou péssimas; 38% boas ou ótimas.

O fato é que o ritmo de investimento na melhoria das estradas tem se mostrado muito baixo. Assim, não é de se espantar que apenas 12% das estradas são pavimentadas. São pouco mais de 203 mil quilômetros asfaltados, sendo mais da metade de responsabilidade dos estados (54,4%), 32% são rodovias federais e 13% municipais.

Na verdade, a falta de investimento na malha rodoviária, em um país em que mais de 60% das riquezas são transportadas por estradas, traz falta de segurança, perda de competitividade e, o que é pior, perda de vidas.

Segundo a pesquisa da CNT, os motoristas no Brasil gastam, em média, 26% a mais em função das condições das rodovias em comparação a outros países que contam com condições melhores das pistas.

Se por um lado, as rodovias sob concessão apresentam melhores condições, por outro, o preço dos pedágios é sempre uma reclamação recorrente, especialmente em um país que possui uma alta carga de impostos. Transportadoras e caminhoneiros autônomos alegam que o alto valor da tarifa impacta o custo da viagem e do frente, prejudicando a saúde financeira das empresas.

Para se ter ideia, um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), há dois anos, com base nos preços praticados naquela época, apontou que o motorista brasileiro já gastava, em média R$ 9,13 para percorrer 100 quilômetros de uma rodovia pedagiada.

 

COMO É A COBRANÇA PELO PAÍS?

 

O Diário pesquisou as variações de valores dos pedágios pelo Brasil e traz os dados para que o leitor tire suas conclusões. Consideramos como parâmetro o valor cobrado para carros de passeio antes do repasse do reajuste o que deve acontecer na próxima semana. Acompanhe:

 

- No Rio Grande do Sul atualmente são 22 praças de pedágio cujos preços variam de R$ 3,40 a R$ 13,80;

- No Paraná são 31 praças com valores de R$ 2,50 a R$ 14;

- Em São Paulo são 68 praças com valores de R$ 2,90 a R$ 25,20;

- Em Goiás são 07 praças que variam de R$ 3,10 a R$ 6.,20

- Em Mato Grosso do Sul são 10 locais de cobranças com preços de R$ 4,60 a R$ 9,60;

- No Rio de Janeiro são 29 praças com valores de R$ 3,40 a R$ 18,30

- Na Bahia são 10 praças com valores de R$ 2,50 a R$ 9;

- Em Santa Catarina são 09 praças com valores de R$ 2,30 a R$ 5,60;

- E em Mato Grosso são 15 praças de pedágio com valores entre R$ 3,60 a R$ 8,50.

A maioria das rodovias pedagiadas pesquisadas pelo O Diário fazem a cobrança nos dois sentidos da via (ida e volta).

4 Comentário(s)
Realmente a rodovia ficou melhor com a concessão, más o valor por um pequeno trecho é muito alto. Lembrando que quando a empresa começou a cobrança de pedágio, já começou com um alto valor, acima do que foi proposto na concessão. Mesmo antes de fazer benfeitorias na rodovia já estavam cobrando muito caro. Quando saiu a consulta popular para a concessão, a maioria das pessoas acreditou em um valor justo em troca de melhorias na rodovia.
enviado por: Anderson em 01/02/2017 às 08:32:56
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Deveria cobrar 15 reais por carro no minimo. Esses caminhões que carregam excesso deveriam pagar 500 reais de pedágio. kkkkkkk povo só reclama no face mesmo, que nem os camioneiros, fizeram um auê e ficaram 30 minutos e não adiantou nada. Brasileiro povo burro, devia quebrar tudo aquela porcaria de pedágio
enviado por: João em 01/02/2017 às 10:50:41
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Para os condutores que usam a rodovia eventualmente,levando em conta a qualidade da mesma anteriormente,cheia de buracos,sem sinalização etc.etc.. hoje vendo tudo o que foi feito: pista em ótimo estado,sinalização,estrutura de apoio, o valor não é caro. O problema está pra quem precisa passar diariamente por ali,pra ganhar seu pão,ficou muito caro sim. Residi um bom tempo na Serra Gaúcha,e a concessionária de lá,cadastrou todos os moradores de Três Corôas ,e concedia 50% de desconto ,pois transitavam diariamente por ali.Fica a sugestão.
enviado por: Claudio em 02/02/2017 às 13:59:21
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Vale a pena pagar o pedagio considerando a qualidade de estrada que temos hoje. Quanto ao valor acho justo, se quiserem pagar pedágio caro expetimentem os valores cobrados no Paraná.
enviado por: Flavio em 03/02/2017 às 12:11:15
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Edição impressa
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os maiores eventos e coberturas
O que você acha que deve ser feito com os carrinhos de lanche em PVA?
Devem ser retirados das avenidas!
Devem permanecer onde estão!
Devem ficar todos na Praça de Eventos!
Devem ser realocados para as praças da cidade!