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Quarta-feira, 08 de Março de 2017, 07h:47

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Mulheres: Mais união por favor!

O que sinto e o que vejo é que a mulher acumulou muitas funções: ela é mãe, mulher, filha, esposa, estudante, empresária, líder, gestora... trabalhadora, muito batalhadora!


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Jaqueline Hatamoto

Hoje meus colegas aqui da redação me deixaram à vontade para falar sobre esse dia tão importante, “Dia Internacional da Mulher”.  Sinto-me à vontade porque acredito que nós, mulheres, avançamos muito. Hoje estamos em áreas tidas, até pouco, tempo como exclusivamente masculinas: tem mulher piloto de corrida, de aeronaves, motoristas de caminhão, e que exercem qualquer profissão com  maestria. Há quem pense que estamos onde queríamos chegar, mas ainda estamos longe.

O que mais me assusta no fato de estarmos aqui comemorando é que muita gente se esquece do verdadeiro significado da data. O que acontece com uma certa frequência é que empresas, maridos, amigos e pais  parabenizam a mulher com mensagens que sempre acompanhadas de flores, fazem menção ao que cada um entende por ser mulher.

Vou tentar exemplificar: Não são raras mensagens como: parabéns pela beleza, amizade, amor, cuidado, maternidade, carinho, luta, sensibilidade, tudo ao mesmo tempo, e de brinde vai uma rosa.

Quero dizer que, ser tudo isso que vem descrito nos bilhetinhos é uma grande responsabilidade, e corresponder a expectativa é mais difícil ainda. Todos querem transformar a data em festa, mas se pensarmos bem, ainda não temos muito o que comemorar. Hoje, enquanto muitas serão homenageadas, 405 mulheres serão vítimas de violência. Os dados que integram o Mapa da Violência – Homicídio de Mulheres, dizem que os atendimentos às mulheres, vítimas de violência sexual, física ou psicológica em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) somam, por ano, 147.691 registros – 405 por dia, ou um a cada quatro minutos.

Enquanto muitas de nós serão levadas para jantar em um restaurante especial, uma mulher será estuprada, e para se defender, o autor da barbárie vai dizer que ela mereceu, por causa da roupa que estava usando. Para se ter uma ideia, de acordo com estudo divulgado pelo Banco Mundial, é mais fácil uma mulher com idade entre 14 e 44 anos ser estuprada do que ser vítima de câncer ou acidente. A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil.

É uma data para reflexão. É uma data para que possamos mostrar que somos unidas, que gostamos sim de receber homenagens, mais exigimos que todas sejam tratadas da mesma maneira.

O que sinto e o que vejo é que a mulher acumulou muitas funções: ela é mãe, mulher, filha, esposa, estudante, empresária, líder, gestora... trabalhadora, muito batalhadora! Lutamos para ganhar espaços, chegamos até aqui, mais não conseguimos combater ainda a falta de união, a falta de respeito. Já perceberam que os homens são unidos? Observe: um sempre defendendo o outro, se um puxa a briga o outro nem quer saber o que aconteceu, entra na briga também.

Não estou aqui para fazer apologia ao crime, longe disso, estou aqui para pedir união, se você, mulher, ver outra ser agredida, ajude, grite, ligue para polícia, emita sinal de fumaça, mas ajude! Amanhã pode ser você, ou alguém da sua família. Muitas vezes viramos as costas e pensamos: “não é problema meu”, mas é sim!  É um problema nosso!

Como jornalista, luto diariamente pela igualdade de gênero, de raça, social. E espero o dia que poderei olhar com prazer, que todos no mundo estão onde deveriam estar. Pode até parecer um sonho de uma criança, que pensa em mudar o mundo com uma caneta, mais me responda o que a gente é sem sonhos?

Que possamos aproveitar nosso dia.

 

 

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