OPINIÃO /

Quarta-feira, 22 de Março de 2017, 07h:22

A | A | A

"Jeitinho Brasileiro"

Talvez seja, realmente, difícil para quem convive nesse contexto de Brasil entender os que habitam aqui.


Imagem de Capa
Ítalo Berto

 

 

A  moto foi feita para comportar duas pessoas! Se um flagrante em desrespeito a essa regra é feito pela CMTU, logo parte da população deixa sair de boca a fora a demonstração de pena por aquela família não ter condições de levar os filhos na escola, ir trabalhar e realizar todas as atividades diárias que o mundo capitalista exige. Se as devidas providências são tomadas em relação ao filho do cidadão com bom poder aquisitivo, por infringir as regras e conduzir veículos automotores antes do tempo permitido pela lei, reclama-se sobre a indústria de multas. Como entender o Brasileiro?

Talvez seja, realmente, difícil para quem convive nesse contexto de Brasil entender os que habitam aqui. Mas um americano chamado Mark Manson, que conhece, gosta e é casado com uma moradora do Brasil, em um texto intitulado “Uma Carta Aberta ao Brasil”, coloca o entendimento dele sobre o brasileiro e os culpam pelo país ser como é.

A carta é imensa. Não há espaço físico nessa edição para que possamos compartilhar na íntegra – mas a internet está aí. Por isso, O Diário separou parte do texto que cabe como exemplo a ser acrescentado nessa opinião:

“O problema é tudo aquilo que você e todo mundo a sua volta decidiu aceitar como parte de ‘ser brasileiro’, mesmo que isso não esteja certo”.

“[...] Eu percebo que vocês, brasileiros, são solidários, se sacrificam e fazem de tudo por suas famílias e amigos mais próximos e, por isso, não se consideram egoístas.”

“Mas, infelizmente, eu também acredito que grande parte dos brasileiros seja extremamente egoísta, já que priorizar a família e os amigos mais próximos em detrimento de outros membros da sociedade é uma forma de egoísmo.”

“[...] Por aqui, se alguém está 1h atrasado, todo mundo fica esperando essa pessoa chegar para sair. Se alguém decide ir embora e não esperar, é visto como chato. Se alguém na família é irresponsável e fica cheio de dívidas, é meio que esperado que outros membros da família com mais dinheiro ajudem a pessoa a se recuperar. Se alguém num grupo de amigos não quer fazer uma coisa específica, é esperado que todo mundo mude os planos para não deixar esse amigo chateado. Se em uma viagem em grupo alguém decide fazer algo sozinho, este é considerado egoísta.”

“É sempre mais fácil não confrontar e ser boa praça. Só que onde não existe confronto, não existe progresso. O ‘jeitinho brasileiro’ precisa morrer. Essa vaidade, essa mania de dizer que o Brasil sempre foi assim e não tem mais jeito também precisa morrer. E a única forma de acabar com tudo isso é se cada brasileiro decidir matar isso dentro de si mesmo.”

E aceitar que pais coloquem em risco a vida de seus filhos, pelo fato de ele não ter condição de transportá-lo de outra forma e, sentir dó quando essa pessoa é penalizada, é mais um “jeitinho brasileiro” que reflete a realidade do país, onde mora um povo que oculta suas dificuldades de convivência social enquanto aponta o dedo para os corruptos que mídia deixa em evidência.

 

Para finalizar, na opinião do coordenador da CMTU, o caso da menor machucada é de responsabilizar dos pais, “é caso de polícia, que junto ao conselho tutelar devem localizá-los e fazê-los cumprirem o dever de proteger a criança, e não deixar de prestar socorro para beneficiar a eles mesmos”, disse Romualdo Bispo.

0 Comentário(s)
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!
Edição impressa
imagem
os maiores eventos e coberturas
O que você acha que deve ser feito com os carrinhos de lanche em PVA?
Devem ser retirados das avenidas!
Devem permanecer onde estão!
Devem ficar todos na Praça de Eventos!
Devem ser realocados para as praças da cidade!