MAIS UMA OPINIÃO /

Domingo, 08 de Abril de 2018, 09h:59

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Promotor de justiça concorda com ação da PJC no combate à exposição de vítimas de acidentes e homicídios na internet


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Ítalo Berto

 

 

A confiscação de aparelhos celulares de populares, por parte da Polícia Civil, volta a ser pauta no jornal O Diário após a notícia ter dividido opiniões entre internautas e leitores. A ação dos policiais, na última segunda-feira (2), quando pessoas tentavam registrar o momento de resgate de dois homens presos em ferragens, em um acidente que aconteceu no cruzamento da Avenida Duvílio Ometto e Rua Olivério Porta, pegou muita gente de surpresa. Além de ouvir a justificativa da polícia na reportagem publicada na edição da última quarta-feira (4), O Diário também buscou o entendimento do Ministério Público.

Nesta quinta-feira nossa equipe conversou com o promotor responsável pela Promotoria Criminal da comarca de Primavera do Leste, Adriano Roberto Alves. Ele segue o mesmo pensamento do delegado titular da Delegacia Regional de Primavera do Leste, Rafael Fossari, e não enxerga irregularidade na ação dos policiais civis na última segunda-feira.

“No Brasil as coisas estão invertidas. O direito da minha intimidade é meu. Está previsto na Constituição Federal. Mas está banalizado, tanto a imprensa quanto populares, quando veem um acidente, tira foto e imediatamente posta sem autorização de ninguém. A vítima não pode ver sua intimidade violada desta forma”, entende o promotor.

Sobre os policiais terem confiscado os aparelhos e devolverem após a retirada das vítimas do local, o promotor defende que “quem tem obrigação de garantir e resguardar, nessa circunstância, a intimidade da pessoa, são as autoridades policiais que estão presentes, se essa for a única forma de evitar a divulgação indevida. Uma coisa é a vítima tirar uma foto que está autorizada. Outra coisa é uma pessoa, só pelo prazer de tratar o outro como um objeto banal, jogar na internet a intimidade daquela pessoa, que pode estar mutilada, cortada, seminua ou com dores intensas. As imagens podem ser espalhadas pelo mundo inteiro”, comenta Alves.

Adriano define a divulgação da imagem de pessoas em situações como essa, uma forma de agressão absurda, para a vítima e aos familiares. “Imagina se você abre o seu Whats App e vê seu neto em um acidente de trânsito todo desfigurado, que impacto que não será? Às vezes outra pessoa poderia contar para os familiares de forma mais adequada. Isso pode deixar o psicológico mais abalado por conta da forma como a família recebe a informação. Pode trazer mais transtornos”, alerta o promotor.

Adriano relembra a população que as vítimas ou familiares, em caso de morte da vítima, podem entrar na justiça com uma ação de indenização por danos morais caso tenham imagens divulgadas sem autorização. “As pessoas precisam se colocar no lugar do outro. Se fosse você, gostaria de estar na situação? Se fosse um filho seu, na imagem circulando sem autorização, de surpresa, você gostaria”, o promotor deixa a reflexão.

O Diário também tentou ouvir o posicionamento da Ordem dos Advogados do Brasil, por meio da presidência da subseção de Primavera do Leste, mas não tivemos respostas até o fechamento desta edição. Também entramos em contato com a Corregedoria-geral da Polícia Judiciária Civil, que também não respondeu nossos questionamentos até o fechamento desta edição.

OPINIÃO

No clique F5 e na página do jornal O Diário no Facebook as opiniões se divergem, porém a maioria demonstraram concordar com a atitude dos policiais e apoiam o recolhimento de aparelhos para evitar que as vítimas de acidentes e assassinatos sejam expostas na internet:

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