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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2018, 07h:00

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A violência sexual dá sinais. Psicóloga esclarece sobre o comportamento das vítimas

Somente neste mês, dois homens foram presos acusados de terem estuprado três crianças e um idoso foi detido por tentativa.


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Pérsio Souza

No início deste mês, o jornal O Diário divulgou a prisão de duas pessoas acusadas de terem abusado de menores de idade e uma por tentativa. Apesar dos crimes não terem nenhuma ligação, os traumas causados e os sinais de que algo errado pode estar acontecendo são os mesmos.

Em um dos casos, a Polícia Civil chegou até o suspeito acusado de estuprar os enteados de 8 e 12 anos, após a direção da escola acionar o Conselho Tutelar, pois observaram que as crianças poderiam estar sofrendo possíveis maus tratos.

Posteriormente as vítimas foram encaminhadas ao Departamento de Violência Sexual e em conversa com os meninos, foi descoberto que eles eram agredidos todas às vezes que negavam manter relações sexuais com o padrasto.

Outro episódio foi um homem acusado de estuprar a própria sobrinha. O suspeito teria molestado a menor de oito anos. Foi a mãe da criança que encontrou as roupas íntimas da filha com sangue e ao questionar o que havia acontecido, ela contou que foi abusada pelo próprio tio.

Já a tentativa, foi cometida por um idoso que tentou manter relações sexuais com uma criança de sete anos. O suspeito foi flagrado no momento em que estava nu e a vítima sem a parte de baixo da roupa.

Somente no primeiro semestre deste ano, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP), duas pessoas foram vítimas de estupro em Primavera do Leste, a mesma quantidade foi registrada em relação a pessoas vítima de tentativa de estupro. Os dados são referentes aos meses de janeiro a julho deste ano e foram levados em consideração apenas vítimas maiores de 18 anos. O sexo e a idade das vítimas não são divulgados.

Para entender quais sinais as vítimas apresentam e quais danos psicológicos podem ser causados, nossa equipe de reportagem conversou com a psicóloga Beatriz Rufato, que esclareceu de que forma ocorrem estas manifestações, que segundo ela, podem ser de diversas formas.

Provavelmente a criança já tentou falar e ninguém ouviu, diz a psicologa

De que forma as vítimas costumam se comportar após as agressões?

O primeiro sinal é a mudança de comportamento. Agir de forma como nunca agiu antes, medos que não tinha, extrema mudança de humor e afastar-se de alguém específico ou de uma atividade específica.

É bom ficar atento também a uma proximidade excessiva. Outro indicativo é a regressão, voltar a ter comportamentos infantis que já não tinha mais. A criança também pode ter uma mudança de hábitos, desejo precoce pela sexualidade e hematomas desconhecidos.

Os tipos de sinais apresentados pelas vítimas podem variar quando é uma criança ou adolescente, ou costumam apresentar as mesmas características?

Elas costumam apresentar as mesmas características.

De que maneira os pais ou responsáveis podem conversar com a vítima, sem que ela se sinta ameaçada ou pressionada?

Muitas vezes por se sentir culpada, envergonhada ou acuada a criança acaba não revelando verbalmente (choro). Mas provavelmente ela já tentou falar e ninguém ouviu. Sempre prestem atenção no que as crianças dizem.

As vítimas deste tipo de agressão precisam ter um acompanhamento psicológico posteriormente?

Sim, elas podem ter danos irreparáveis que elas podem levar para a vida adulta. Por exemplo, se uma menina for abusada por um homem, ela pode crescer tendo muito medo de qualquer homem que se aproxime dela.

Quais consequências psicológicas podem ser desenvolvidas após a agressão?

Compreender e avaliar a extensão das consequências do abuso infato-juvenil não é um trabalho fácil, pois existe uma carência de estudos. Precisa ser levado em conta alguns fatos: grau de penetração, acompanhamento de insultos ou violência psicológica, uso da força ou violência física, entre outras brutalidades. No campo neurológico o abuso pode acarretar em danos temporários ou permanentes na estrutura do cérebro.

Em relação a adultos, em grande parte dos casos de violência sexual, a vítima não possui reação, não grita e nem tenta lutar contra o agressor. A psicologia possui algum estudo que explica sobre esse tipo de trauma?

Existe sim casos de adultos que brigam com agressores, alguns conseguem fugir, já em outros casos a vítima sofre uma agressão maior ainda. Os que não lutam e ficam paralisados, com medo, podem ser ameaçados de alguma maneira.

A psicóloga deixa uma mensagem de alerta aos pais e responsáveis:

“Pais e responsáveis falem com suas crianças sobre o que um adulto pode e o que ele não pode fazer, têm livrinhos educativos. Falar sobre esse assunto não vai incentivar a sexualidade e sim cuidar de seus pequenos e adolescentes”, finaliza.

 

 

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