ARTIGO /

Segunda-feira, 01 de Outubro de 2018, 13h:52

A | A | A

FEMINICÍDIO

Um terço dos homicídios de mulheres no mundo (35%) são cometidos por seus companheiros, de acordo com a OMS, enquanto 5% dos assassinatos de homens são cometidos por suas parceiras


Imagem de Capa
Beatriz G. Rufato - Psicóloga.

A palavra feminicídio define o homicídio de mulheres como crime hediondo quando envolve menosprezo ou discriminação à condição de mulher e violência doméstica e familiar. A lei define feminicídio como “o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição de sexo feminino” e a pena prevista para o crime é de reclusão de 12 a 30 anos.

Um terço dos homicídios de mulheres no mundo (35%) são cometidos por seus companheiros, de acordo com a OMS, enquanto 5% dos assassinatos de homens são cometidos por suas parceiras. A projeção da Organização das Nações Unidas é que 70% de todas as mulheres no mundo já sofreram ou irão sofrer algum tipo de violência em algum momento de suas vidas. Em 2016, um terço das mulheres no Brasil (29%) relataram ter sofrido algum tipo de violência. Delas, apenas 11% procuraram uma delegacia da mulher e em 43% dos casos a agressão mais grave foi no domicílio.

O principal motivo para o uso da palavra feminicídio é de que o crime por si só já é diferente, por ser uma violência, cometida contra uma mulher pelo fato de ela ser mulher. Essa discriminação provém no machismo e do patriarcado, que são maneiras culturais de a sociedade colocar a mulher num lugar de inferioridade, submissão e subserviência; de acordo com essa lente, a autoridade máxima é exercida pelo homem e automaticamente a mulher se torna um ser desimportante, que deve dedicar sua vida a servir (principalmente os homens).

De acordo com o Atlas da Violência e outros relatórios, os números apresentados sobre violência contra a mulher e feminicídio revelam um quadro grave, e indicam também que muitas mortes poderiam ter sido evitadas. Em muitos casos, até chegar a ser vítima de uma violência fatal, essa mulher sofre de uma série de outras violências de gênero, como bem especifica a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06). A violência psicológica, patrimonial, física ou sexual, em um movimento de agravamento crescente, muitas vezes, antecede o desfecho fatal.

O Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídios no mundo: 4,8 homicídios para cada 100 mil mulheres, de acordo com a OMS. O Mapa da Violência de 2015 que trata sobre o homicídio de mulheres mostra que 106.093 mulheres foram assassinadas entre 1980 e 2013, sendo 4.762 só em 2013. Em 2015 o número diminuiu, mas pouco: 4.621 mulheres foram assassinadas no Brasil, contabilizando 4,5 mortes para cada 100 mil mulheres, de acordo com o Atlas da Violência de 2017.

Uma reflexão: será que a violência contra a mulher realmente aumentou ou as mulheres estão falando mais a respeito? Há de se considerar a existência da Lei Maria da Penha, que visa punir a violência doméstica, e de maneiras de denunciar essa violência, como o número 180 ou em delegacias da mulher. Há, além disso, iniciativas e campanhas populares de mulheres que dizem um basta à violência, a exemplo da Chega de Fiufiu (Think Olga), Mexeu com uma mexeu com todas (usada por meio da hashtag #mexeucomumamexeucomtodas) e mesmo a hashtag #MeuPrimeiroAssédio, usada por mulheres nas redes sociais para denunciar assédios e violências sofridas em suas vidas.

 

Beatriz G. Rufato – Psicóloga 

0 Comentário(s)
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

MAIS Primavera Do Leste

SOMOS LIVRES EM NOSSA MENTE?

Por que os ditadores, por mais brutais que sejam, por mais que controlem seu povo com mão de ferro, caem? Porque ninguém pode controlar a movimentação do EU e seus anseios pela liberdade.

Razões, ter ou não ter eis a questão!

Diante de todas essas definições podemos afirmar que discutimos apenas no intuito de defender o nosso ponto de vista e com isso somos todos juízes nas causas dos outros

MAIS LIDAS NO CLIQUE F5

MAIS LIDAS MATO GROSSO


Abaixo reportagens especiais e exclusivas para os assinantes do Jornal O Diário

CLUBE DO ASSINANTE

EMPRESAS PARTICIPANTES

Nome ou atividade:

Bairro ou logradouro:

Produto:

Buscar em:

Edição impressa
imagem
os maiores eventos e coberturas
Você é a favor ou contra a revitalização das Avenidas de Primavera?
A favor.
Contra.
Não tenho opinião formada sobre o assunto.