Quinta-feira, 15 de Outubro de 2015, 08h44
Quando o coração resolve sapatear
Um jeito estranho de falar do amor

Driely Pinotti

Eu sempre acreditei em um amor fofo, aquela coisa romântica, sabe? Mas esse acreditar passou, logo quando me apaixonei pela primeira e última vez. Essa explosão de sentimento me fez sofrer para lá do caramba. Desde então, eu luto para sentir tudo isso de novo, no entanto, quando meu coração começa a bater forte, sapateando, eu vejo que sou muito sedentária e não tenho a menor das preparações emocionais para sentir esse sentimento paradoxal, que deixa o ser humano bastante psicodélico.

Só que o jeito que todo esse sentimento deixa a pessoa que a sente é lindo, mas ao mesmo tempo, ela fica tão imbecil. Não sei se vejo isso por nunca ter tido um saldo que fosse positivo nesse lance de amar. Porém, quando esse sentimento aflora, parece que a gente não funciona direito, a não ser que seja para pensar na pessoa e ficar criando planos irreais dentro da imaginação.

Mas o que me incomoda não são as coisas boas que aprendemos com esse sentimento bastante explosivo, mas sim as coisas ridículas.

Todo aquele ‘Amadicto’ faz, muitas vezes, a gente ser quem não é. Tudo pela possessividade de ter aquela pessoa ao seu lado, sem que ela mesma queira. Isso é ridículo e esquisito demais.

Eu acredito em um amor verdadeiro, só que um relacionamento regado de amizade e respeito, me comove bem mais do que um mais com M maiúsculo.

Sabe aquela troca de espiritualidade, de afeto, de companheirismo e de contato físico, isso me cativa mais do que toda uma obrigação de seguir um caminho e ser o que você não é, para agradar alguém que não tem a dignidade da lealdade.

O mais complexo é explicar tudo isso para aquela tia, que sempre quando te encontra e pergunta: “E aí filha, tá namorando?”

Se ela soubesse o quanto isso me irrita, não perguntaria tantas vezes.

Todavia, o problema é bem mais complexo, e não se limita apenas à minha tia, que não está nem aí para como vai a minha vida, quantos livros li esse ano ou quantas cervejas eu bebi na última noite.

O problema maior de todo esse problema está em todas as pessoas que utilizam essa pergunta irritante para medir o quanto você está feliz. Porque claro, se você está namorando, deveria estar feliz!? O que é uma inverdade.

Olhe para a sua volta, quantos casais vivem uma vida frustrante, mas poderiam estar felizes se estivessem sozinhos? Mas, algum medo - que não é o de sofrer - os impedem de estarem sozinhos. Porque é bem melhor ‘parecer’ feliz ao lado de alguém, do que ser feliz tornando-se uma peça “bem da avulsa”.

É claro que é bom ter alguém para assistir um filme no frio, e até no calor, fazer um cafuné, tocar um som, mesmo fora do tom, falar sobre Caetano e Renato. Mas eu não ando com muita pressa não, VIU TIA, enquanto não achar um amor daquele regado com amizade, respeito e cheio de troca de espiritualidade.

Vou ser feliz com os meus poucos e melhores amigos do mundo.

 

Dias sim, dançando um samba, em outros curto um rock e reggae, porém, sei que os 365 dias do ano serão de risos e de muitas felicidades. 


Fonte: Clique F5
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