Sábado, 29 de Agosto de 2015, 08h44
ESTILO DE VIDA ATUAL E ISOLAMENTO
Estamos tão perto tecnologicamente, e ao mesmo tempo tão distantes emocionalmente.

Milene Teixeira

 

A cada dia mais estudiosos do psiquismo humano ressaltam o adoecimento das emoções no homem moderno. Isso acaba ocorrendo devido ao estilo de vida que esta sendo imposto a população mundial através da globalização.

Sem que ninguém se dê conta somos bombardeados por informações diárias, desde noticias sobre politica e economia, até as fofocas do que aconteceu ontem com a sua amiga da escola primaria, ou com a atriz que esta protagonizando a nova novela. Tudo nos chega pela internet, nas redes sociais, nos blogs de noticias, nos canais da televisão... um mundo de opções que nos afogam com tanta informação, sem deixar espaço para o pensar ou refletir sobre elas. A consequência disso é percebida no aumento significativo de pessoas com doenças emocionais: vemos um numero absurdo de pessoas angustiadas, tímidas, agressivas, dependentes de drogas/álcool, com necessidades autopunitivas, fobias, depressão.

Atualmente somos seres solitários, embora a população mundial esteja tão avolumada, e nunca vivemos tão próximos uns dos outros, nos isolamos em nossos pequenos apartamentos, ou nos sorrisos fixos, e não nos damos a conhecer verdadeiramente.  Vemos uma geração de egoístas, que tem prazer em falar de si muito mais que ouvir o outro. As famílias quase não conversam, não existe uma troca de experiências entre pais e filhos, e muitos pais hoje em dia são desconhecidos de seus filhos, pois não compartilham suas historias, suas experiências de vida. O que vemos são cada vez mais jovens sofrendo com suas angustias, seus medos, perdas e conflitos, sem conseguir verbaliza-los a ninguém, o que eleva o numero de pessoas com sintomas de timidez.

Ao mesmo tempo que a indústria do lazer proporciona uma infinidade de opções como nunca foi visto em outra geração (parques temáticos, facilidades para viagens, internet, indústria da moda, televisão e muitas outras), e isto deveria proporcionar estímulos que tornassem as pessoas imersas num mundo de satisfação e bem estar, nunca se viu tantas tentativas de suicídio nas décadas anteriores, somos uma geração de pessoas tristes e inseguras. Algumas pessoas precisam de uma infinidade de estímulos para sentir uma pontinha de prazer. Na falta de tempo para reflexão, as pessoas ficam aprisionadas em pensamentos prontos, vindos de outras pessoas, e isto é uma prisão!  A mente livre necessita de reflexões profundas.

Temos a disponibilidade de uma variedade de informações e ideias, mas ao invés de nos permitirmos observar e usufruir da capacidade humana de pensar, criticamos, dividimos, excluímos. Somos uma geração onde em nome de uma “liberdade”, julgamos e discriminamos, e separamos pessoas, ou somos separados por elas. O pior é quando se faz um autojulgamento, onde a própria pessoa se diminui, se desconsidera, baseado em parâmetros dados por outras pessoas.

Vivemos um tempo sem qualidade de vida e isso reflete na superficialidade do pensamento e dos relacionamentos. Aparece quando o normal das pessoas é ser apressado, ansioso e estressado, quando na verdade, o normal é ser relaxado e calmo.

 

A solução para se livrar destas imposições é resgatar o EU em primeiro lugar. Reconhecer quem é você, o que te alegra, o que te faz falta, o que te angustia, e parar de permitir que o externo influencie tanto, é preciso ser menos absorvente das demandas externas, proteger seu emocional, mas para isso, é preciso conhecer o que você guarda dentro de você, e assim poder escolher o que cabe na sua vida. É necessário aprender a olhar menos para fora, e olhar mais para dentro, só assim você poderá lidar com as faltas, e sabendo do que precisa, trabalhar para preencher esta falta, e só assim, poderemos oferecer ao mundo o melhor de nós, e contribuir verdadeiramente para um mundo de relacionamentos saudáveis. 


Fonte: Clique F5
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