Quinta-feira, 13 de Agosto de 2015, 13h56
Psicanálise
PERDAS NECESSÁRIAS
As vezes temos que perder para ganhar.

Milene Teixeira

Em nossa vida emocional estamos sempre fazendo escolhas e tendo que assumir o preço dessas escolhas. Por exemplo, podemos ficar eternamente com raiva daquela pessoa que nos ofendeu ou machucou e deixar-nos corroer pelo ressentimento e pela magoa, ou, perdoar e seguir em frente, deixando todos os sentimentos ruins (e quem sabe a pessoa também!) para trás, seguindo a vida com mais leveza e paz no coração. Podemos escolher ser uma pessoa bem humorada, alegre, um otimista, ou uma pessoa amargurada, sempre apegada as perdas que sofreu na vida. Mas e quando essas perdas ocorreram independente de nossas escolhas? Como lidar com o vazio que fica? Com a falta de uma pessoa querida, ou a preocupação causada por uma perda financeira, ou o medo diante de uma nova condição depois de um acidente que ocasionou limitações físicas?

Perceba que a vida propõe infinitas possibilidades de transformação, e cada pessoa precisa compreender e assimilar o que está perdendo para aceitar o que pode ganhar. Verdade que algumas opções são escolhas, outras são imposições, mas amadurecer é sempre um processo que exige esforço, e algumas vezes apoio para se perceber como fazer, e o que realmente se esta ganhando!

Os lutos pelas perdas que vivenciamos ao longo da vida quase sempre são traumáticos, podendo deixar graves sequelas emocionais. E luto nem sempre esta relacionado a morte de uma pessoa, as vezes representa a morte de uma fase da vida, de um projeto ou de um sonho. Um exemplo é o adulto que eternamente comporta-se como um adolescente. Ele não consegue abandonar a antiga condição, vive exigindo cuidados dos que estão a sua volta, por ter necessidade de atenção pode desenvolver um comportamento abusivo (uso de álcool ou drogas), as vezes por carência tornar-se um exigente de provas de amor, ou dependente permanente de outra pessoa, que terá que suprir sua necessidade de afeto.

Ser adulto significa dar conta da própria vida, tentar suprir suas próprias necessidades, buscando relacionar-se com os outros de forma saudável e cooperativa. Porem para chegar a esse estágio é preciso abandonar muitas coisas. O bebê abandona a segurança e o aconchego do colo da mãe para aventurar-se a caminhar e descobrir o mundo! A criança pequena abandona a proteção do cuidado familiar para ousar aprender coisas novas e relacionar-se com estranhos no ambiente escolar! O adolescente afasta-se do conhecido mundo dos pais para descobrir seu próprio lugar no mundo! O adulto supera seus medos, seus conflitos, suas necessidades egoístas para ser produtivo e colaborador na sociedade. E assim, de perda em perda é que se vai crescendo e conquistando novas dimensões na vida, estas são perdas necessárias. Do contrario, agarrando-se a uma antiga condição não se consegue evoluir, progredir e alcançar a maturidade e plenitude na existência, e nada se pode ganhar.

 

 


Fonte: Clique F5
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