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Segunda-feira, 20 de Maio de 2019, 01h:57

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Reconstrução dá o tom do MECAInhotim, quatro meses após tragédia em Brumadinho

Logo na entrada de Brumadinho (MG), uma exposição de camisas e uniformes sujos de lama lembra que essa é uma cidade em luto. E que luta para se...


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Logo na entrada de Brumadinho (MG), uma exposição de camisas e uniformes sujos de lama lembra que essa é uma cidade em luto. E que luta para se reerguer, cerca de quatro meses após a tragédia ambiental causada pelo rompimento da barragem da Vale.

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erasmo carlos e duda beat
Reprodução/Instagram/Duda Beat
Duda Beat e Erasmo Carlos foram atrações no MECAInhotim

Esse tom de reconstrução guiou os discursos dos artistas que se apresentaram na quinta edição (quase cancelada) do MECAInhotim , festival realizado entre sexta-feira e domingo, num palco montado em frente a uma instalação de Hélio Oiticica. Cerca de 10 mil passaram pelo museu ao longo dos três dias, com acesso liberado para as exposições. 

Protagonista do show mais aclamado do evento, a pernambucana radicada no Rio Duda Beat fez questão de pedir para o público “compartilhar com os amigos que estamos aqui e está tudo lindo”. Afinal, Inhotim, principal ponto turístico de Brumadinho, vem sofrendo com uma escassez de turistas desde a tragédia.

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"Estar aqui hoje é um ato político. Que as pessoas responsáveis por esse crime se retratem", disse Duda, que botou o público para dançar com sua sofrência pop, e ainda contou com participação especial de Erasmo Carlos . Meio desajeitado, o Tremendão cantou os clássicos “Vem quente que eu estou fervendo”, “Festa de arromba” e “É preciso saber viver” com Duda, que chamou de “anjo”.

Atração principal do evento, Gilberto Gil fez um discurso sereno, pedindo para que “nossos sinais cardíacos e afeto cheguem a todos os afetados pela tragédia na região”. E agradeceu a todos que “fazem de Inhotim essa estrutura extraordinária tão importante para a comunidade”.

Com sua banda familiar, que conta com os filhos Bem (guitarra e direção), Nara (voz) e José (bateria), Gil fez um show musicalmente impecável, mas que não contou com engajamento à altura — parte por conta do repertório de poucos hits, centrado no recente álbum “OK OK OK”, e também pelo perfil do público, que parecia mais interessado nos DJs que viriam depois.

Céu (no sábado) e Pitty (na sexta) foram mais felizes ao centrarem seus repertório em sucessos recentes e do passado, mas optaram por discursos mais contidos. A baiana tocou até Raul Seixas (“Matemorfose ambulante”) e, no seu único discurso, celebrou aquela que era uma noite de “luta, alívio e resistência” .

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Na sexta, a paulista MC Tha também bateu na tecla de que o parque precisa recuperar a frequência de turistas de outrora. Ela fez um show surpreendente, em que imprimiu um carisma natural à ponte que construiu entre funk, o candomblé e música popular. Sua voz doce, letras conscientes, violinos (a cargo da produtora Malka, a primeira artista trans a tocar na Sala São Paulo) e os tambores de terreiro levam o funk a um patamar particular, em que a imersão caminha ao lado do batidão.

O MECAInhotim contou ainda com shows de Castello Branco, Tulipa Ruiz e da banda local Lamparina e A Primavera. Além da programação do palco principal, outras estruturas, como o Art Stage, em que artistas visuais como Cranio e Ana Strumpf faziam diálogos entre projeções e sets de DJ, animaram o público do festival até 5h da manhã.

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