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Domingo, 29 de Maio de 2016, 15h:23

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ADOLESCÊNCIA

Liberdade com limites.


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Milene Teixeira

Vejo os jovens andando pelas ruas, e fico pensando em como certas coisas mudaram para eles nos dias de hoje, embora ainda fiquem evidentes as semelhanças de todas as épocas anteriores, especialmente as ligadas às necessidades psíquicas desta fase.

Durante esse período, o jovem busca reconhecimento, sensação de pertencimento a um grupo além do familiar, individualidade, compreensão, apoio e muito mais. As relações familiares mudam, e os pais deveriam compreender isso, enxergar que ali não existe mais o seu menininho, a sua garotinha, mais um ser que quer se individualizar, e para isso, necessita novas experiências relacionais, o que implica em sair do meio familiar conhecido e aprender a se relacionar com pessoas diferentes, com outras exigências, estilo de vida, contexto social, tudo aquilo que for novo. O novo, aliás, se torna extremamente atrativo, pois possibilita o crescimento, o reconhecimento de novas possibilidades.

Porem, se a família vira o ‘feijão com arroz’, e tudo o que se quer é ‘variar o cardápio’, ainda assim, o mundo conhecido do adolescente é sentido como segurança, e neste ponto é fundamental os pais poderem se mostrar disponíveis, acessíveis para os filhos, os filhos vão ter novas experiências, mas os pais permanecem como figura de segurança e afetividade sempre disponível, o que proporciona tranquilidade para o jovem, reduzindo a ansiedade e a solidão características do período.

O que percebo na clinica são dois comportamentos mais ou menos padrão dos pais de filhos nesta fase. Os pais que se sentem parcialmente isentos de responsabilidade (que dizem: “Você agora tem idade para assumir sua vida”), e que ‘jogam’ no mundo jovens despreparados, que sobrevivem, mas não sem sequelas. Quando adultos sentirão insegurança, problemas com figuras de autoridade (chefes, professores, etc.), autoestima baixa e inferioridade. São aqueles jovens que assumem responsabilidades muito grandes para sua imaturidade emocional, e sentem-se desamparados, tendo que tomar decisões e enfrentar desafios sem apoio familiar.

A outra postura comum é aqueles que continuam tratando os filhos como crianças, e inversamente ao anterior, não responsabilizam os filhos por suas atitudes, nem permitem que assumam uma condição de autonomia responsável por seus atos e escolhas, o que nesta fase é lição valorosa, e que se não se teve até então, de agora não pode passar – saber que para cada atitude existe uma consequência, que tem que ser assumida e pelo qual ele será responsável. Se todos os pais fizessem isso, evitar-se-iam atrocidades diversas vividas por jovens que se vê nos noticiários, como violências, preconceitos, abuso de drogas e bebidas alcoólicas, e muito mais.

O jovem necessita de apoio, compreensão, afeto, diálogo, e de sentir-se respeitado e valorizado no seu meio familiar. Porém, o adolescente deve ser tratado como qualquer amigo intimo e querido, no qual se pede opinião, mas não se aceita grosseria; do qual se tem prazer na companhia, mas não se obriga a ficar junto; aquele que se empresta um dinheiro, mas se cobra de volta. Agora se uma pessoa não consegue fazer isso com um amigo, como vai fazer com um filho?

 

 

 

1 Comentário(s)
Excelente matéria Dra. Milene.
enviado por: Odair M Junior em 07/06/2016 às 15:35:30
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